Débora Ferraz transforma tradição familiar em referência nacional e conquista título de melhor queijista do Brasil

 


Especialista em queijos artesanais, empresária une curadoria, experiência sensorial e valorização dos pequenos produtores brasileiros na Cave 381


Muito antes de conquistar o título de vencedora da quarta edição do Mundial do Queijo do Brasil, Débora Ferraz já carregava uma relação afetiva profunda com os queijos artesanais. Ela cresceu acompanhando de perto a rotina da Queijaria Sítio Paiolzinho, localizada em Cruzília, no Sul de Minas Gerais, negócio criado por sua família há quase três décadas e que se tornou parte da sua história desde a infância. “Eu cresci vendo a produção acontecer. Sempre existiu essa conexão muito forte com o queijo e com tudo o que ele representa para a nossa família”, relembra.


Mesmo seguindo outros caminhos profissionais durante parte da vida, o desejo de se reconectar com as origens permaneceu presente. Foi esse chamado que motivou Débora a mergulhar de vez no universo dos queijos artesanais brasileiros e descobrir uma nova atuação: a profissão de queijista — especialista responsável pela curadoria, seleção, harmonização e apresentação de queijos ao consumidor.


A partir desse movimento, nasceu em 2021 a Cave 381, loja conceito criada em São Paulo com uma proposta que vai muito além da venda de produtos. O espaço surgiu como uma vitrine para valorizar os queijos nacionais e aproximar o público das histórias, dos territórios e dos produtores por trás de cada peça.


Na Cave 381, os queijos dividem protagonismo com geleias, cafés especiais, cervejas artesanais, vinhos, antepastos, doces e outros produtos pensados para harmonização. O grande diferencial, porém, está no atendimento consultivo e personalizado, conduzido para ajudar o consumidor a descobrir novos sabores e entender o que torna cada queijo especial. “A proposta é ampliar o repertório das pessoas. Muitas vezes o cliente gosta de queijo, mas ainda não encontrou aquele que realmente conversa com o seu paladar. Nosso trabalho é justamente fazer essa ponte”, afirma Débora.


Segundo Débora, um dos papéis mais importantes do queijista é traduzir ao consumidor o valor envolvido na produção artesanal. Aspectos como tipo de leite, origem do animal, modo de fabricação, tempo de maturação e cuidados manuais fazem parte da identidade de cada queijo. “Quando falamos de um queijo artesanal, estamos falando de história, território, tradição familiar e conhecimento passado de geração para geração. Existe muito cuidado envolvido em cada etapa”, destaca.


Esse olhar atento para os detalhes e para a experiência sensorial foi determinante para sua participação no Mundial do Queijo do Brasil, uma das principais competições do setor. Entre provas técnicas, apresentações práticas e desafios diante do público, Débora chamou atenção justamente pela capacidade de unir conhecimento, criatividade e narrativa.


Na etapa semifinal, escolheu defender um queijo azul produzido pela própria família na Serra da Mantiqueira. Apesar de ser um queijo de mofo azul, conhecido pelo sabor intenso, ela apostou em uma abordagem mais delicada para apresentar novas possibilidades de consumo ao público e aos jurados. A receita escolhida foi um cheesecake elaborado com o queijo incorporado à massa, finalizado com lascas do próprio azul e uma calda de abacaxi para trazer acidez e equilíbrio ao preparo.


Para Débora, o crescimento do mercado nacional passa justamente pela valorização dos pequenos produtores e pela construção de uma cultura de consumo mais conectada às origens e aos processos artesanais. “O queijo brasileiro vive um momento muito especial. Existe uma riqueza enorme sendo produzida no país, e o trabalho do queijista é justamente ajudar essas histórias a chegarem até as pessoas.”


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