A arquitetura sensorial vem se tornando um dos pilares mais fortes do mercado de bem-estar, justamente porque vai além da estética: ela projeta experiências. Mais do que abrigar funções, atua como parte ativa do processo terapêutico para que o lugar possa influenciar diretamente o estado emocional do usuário, contribuindo para desaceleração, introspecção e reconexão. Esse é o caso do Gangga Wellness Club, novo templo de bem-estar urbano que acaba de ser inaugurado em São Paulo para quem busca o autocuidado de forma integrada e constante, em prol de mais qualidade de vida. Com projeto assinado pelas arquitetas Olivia Cury e Manuela Albuquerque, do OM estudio, o espaço incorpora esse conceito com maestria.
Ao entrar no lugar, é possível sentir uma sensação imediata de tranquilidade, como se o espaço abraçasse o visitante e o convidasse à pausa. “Queremos integrar corpo, mente e alma em experiências práticas, contínuas e conscientes, através da yoga, pilates, sauna e banheira de gelo, além de alimentação saudável e espaço de convivência”, explica Helena Isaac, idealizadora e proprietária do clube. Em um ambiente propositalmente compacto e intimista, cercado de plantas, verde e luz natural, o espaço chega para transformar o autocuidado em parte do dia a dia. A inspiração vem de inúmeros lugares incríveis do mundo que são referência em wellness e bem-estar e foram visitados por Helena ao longo de um sabático de dois anos que incluiu países como Bali, Costa Rica, Egito, Estados Unidos, Filipinas, França, Itália, Japão, entre outros.
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Sobre a estruturação espacial e concepção arquitetônica
Para dar vida ao espaço, Helena escolheu a expertise em gerar acolhimento humano do OM estudio, que criou um projeto arquitetônico estratégico e emocional para trazer equilíbrio, paz e fluidez. Com referências do fluxo dos rios e do movimento dos corpos, o espaço segue o manifesto da marca e materializa essa atmosfera através de curvas suaves, transições delicadas entre ambientes e uma experiência espacial que convida ao deslocamento natural e intuitivo. “Estudamos bastante sobre a prática de ioga e nosso ponto de partida foi criar um ambiente que transmitisse os valores da marca: tranquilo, fluido, com materiais naturais que trouxessem a sensação de retiro, além de conciliar todos os programas oferecidos para fazer do lugar um ponto de encontro e troca”, revela Olivia Cury. “Toda a planta foi pensada para proporcionar isso, com mesa redonda para momentos de conversa, café ou smoothie e um espaço de recovery bem integrado”, acrescenta.
Ao articular circulações fluidas e bem resolvidas, o projeto constrói uma experiência espacial sem rupturas, onde a paz é percebida tanto no movimento quanto na permanência. Os eixos visuais, a escolha dos materiais e cores com texturas, pedras e uma cartela de cores mais clara visam acolhimento e sensação de bem-estar em cada detalhe. “A recepção faz a transição da rua para o espaço de maneira que a pessoa já chega imersa em um ambiente claro e acolhedor, com curvas que direcionam para os programas oferecidos pelo clube”, explica. Além das curvaturas que trazem essa fluidez que desacelera o corpo, a iluminação tem pontos de destaque como a “lua” na sala de prática, com cristais que ajudam a criar uma atmosfera de respiro para os clientes. “A textura de rocha nas bancadas, as luminárias redondas em pedra, as paredes texturizadas em terracota, verde e areia também foram essenciais para transmitir a atmosfera de refúgio”, pontua.
Um dos pontos altos do projeto é a escala de cores, que foi definida em conjunto com a identidade visual da marca. “Sugerimos o verde, areia e terracota e a identidade visual acabou propondo uma paleta com as mesmas cores. Fizemos muitos testes de tons nas paredes até chegar na tonalidade final”, conta. No campo acústico, o controle de ruídos e a incorporação de uma trilha sonora suave também contribuem para estados de relaxamento. Até o olfato, frequentemente subestimado, ganhou vida no clube com uma fragrância natural especialmente criada para traduzir e completar a sensação de bem-estar. O resultado é um projeto de interiores diretamente ligado ao universo do wellness e à sensibilidade das pessoas ao entrarem no ambiente. “Foi incrível trabalhar nesse projeto que transmite paz, silêncio e presença para quem frequenta o clube”, finaliza a arquiteta.
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