O Brasil é um laboratório particularmente fértil para esse modelo porque combina biodiversidade, diversidade cultural, escala territorial, criatividade social, tradição de acolhimento e uma imagem internacional fortemente associada à alegria, à música, à natureza e à convivência com diferenças. O Plano Nacional de Turismo 2024-2027 já se apresenta alinhado à Agenda 2030 da ONU, à sustentabilidade, à gestão inteligente, ao uso de dados e à construção colaborativa com diferentes segmentos do setor. (Serviços e Informações do Brasil)
A proposta seria criar, a partir do Brasil, um piloto de destinos-regeneradores da paz, conectado posteriormente a outros países sul-americanos. Esse piloto poderia começar com territórios de perfis complementares: uma capital criativa e multicultural; um destino de natureza e comunidades tradicionais; um corredor gastronômico-cultural; um polo de eventos e negócios; e uma rota de integração regional com países vizinhos. O objetivo não seria criar apenas novos produtos turísticos, mas testar uma nova gramática econômica: cada deslocamento deve financiar aprendizado intercultural, conservação ambiental, renda local e fortalecimento comunitário, com oportunidade de negócios economicamente viáveis.
A América do Sul, nesse desenho, não seria apenas o lugar de origem do projeto, mas sua matriz filosófica. Conceitos como Bien Vivir, reciprocidade, territorialidade, economia comunitária, relação biocêntrica com a natureza e valorização dos saberes ancestrais oferecem uma contribuição civilizatória relevante para um mundo em crise de pertencimento, clima, confiança e sentido. O Bien Vivir, em especial, emergiu nos países andinos como proposta que articula visões indígenas, ecológicas e sociais, influenciando inclusive mudanças constitucionais no Equador e na Bolívia. (Springer Nature Link)



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