São Paulo, 3 de julho de 2026 – Uma nova pesquisa do International Workplace Group (IWG)*, a maior plataforma global especializada em espaços de trabalho flexíveis, mostra que os profissionais da geração Z estão repensando as suas carreiras e adotando trajetórias flexíveis, orientadas por IA e com múltiplas fontes de renda, com o objetivo de ampliar o potencial de renda no longo prazo.
A IA não representa apenas mais um avanço tecnológico, ela faz parte de uma das transformações mais profundas na forma como vivemos e trabalhamos nas últimas décadas. O ritmo dessa transformação é extraordinário, com atividades inteiras sendo reformuladas em tempo real e novas ocupações surgindo na mesma velocidade. Como resultado, os profissionais mais jovens estão cada vez mais se afastando de carreiras lineares tradicionais em favor das chamadas “carreiras portfólio”, mais ágeis e diversificadas, que combinam múltiplas funções, atividades paralelas e iniciativas empreendedoras.
A pesquisa do IWG sugere que um novo modelo de carreira está emergindo, em que o sucesso depende cada vez menos apenas de habilidades técnicas e cada vez mais de adaptabilidade, visão empreendedora e da capacidade de acompanhar tecnologias em rápida evolução.
Realizado com profissionais da geração Z no Reino Unido, o estudo mostra que 33% já possuem ou consideram adotar uma atividade paralela, enquanto quase metade afirma ser motivada pela necessidade de gerar renda extra e conquistar maior segurança financeira diante do aumento do custo de vida, da inflação e das dívidas estudantis.
A ascensão das carreiras portfólio
Em vez de depender de um único empregador ou atividade, a geração Z está cada vez mais construindo “carreiras portfólio”, combinando múltiplas fontes de renda para se preparar para um cenário econômico e tecnológico incerto. Essa mudança está diretamente ligada à crescente influência da IA, com 55% acreditando que ela irá remodelar as suas carreiras. Em resposta, jovens profissionais estão desenvolvendo proativamente novas habilidades e diversificando as suas fontes de renda para se manterem preparados para as constantes mudanças no mercado de trabalho.
Essa tendência também reflete uma mudança mais ampla no futuro do trabalho: com a IA assumindo cada vez mais tarefas técnicas e repetitivas, capacidades humanas como criatividade, colaboração, adaptabilidade e liderança tornam-se ainda mais valiosas. Nesse contexto, 90% dos líderes de RH afirmam que não priorizar capacidades humanas representa um risco para a inovação, enquanto 65% dizem que a IA não consegue replicar a empatia humana e 53% afirmam que a liderança continua sendo algo exclusivamente humano.**
Mobilidade profissional guiada pelo potencial de renda
O potencial de renda continua sendo um fator central na mobilidade profissional. Entre aqueles que mudaram de atividade nos últimos três anos, 30% dizem que a principal motivação foi garantir um salário maior e 43% mudaram duas ou três vezes nesse período. No entanto, a geração Z não está apenas buscando crescimento dentro de estruturas de carreira tradicionais. Em vez disso, muitos estão adotando o conceito de “career lily pads”, “saltos estratégicos de carreira” em tradução livre, que envolve transitar estrategicamente entre atividades, setores e projetos para aumentar o potencial de ganhos e se preparar melhor para compromissos financeiros como aluguel, contas e pagamento de empréstimos estudantis.
A geração Z não aceita mais longos deslocamentos diários
Entre os trabalhadores mais jovens, a rotina de longos deslocamentos já é vista, cada vez mais, como algo ultrapassado. Muitos querem trabalhar mais perto de casa, em espaços profissionais, com o apoio de tecnologias que permitam colaborar, fazer networking e desenvolver as suas carreiras sem passar horas em deslocamento todos os dias. 65% dos profissionais da geração Z afirmam que a necessidade de enfrentar longos deslocamentos diários reduziria o interesse em empreender ou buscar fontes adicionais de renda.
O trabalho híbrido e flexível está permitindo essa mudança ao oferecer maior controle sobre o próprio tempo. 24% afirmam que o trabalho híbrido reduz o tempo gasto em deslocamentos, liberando horas que podem ser direcionadas a projetos pessoais ou à geração de renda extra. Outros 20% dizem que o modelo híbrido permite testar novos caminhos profissionais sem abandonar a sua atividade principal, enquanto 21% afirmam que ele possibilita colaborar com profissionais fora do seu setor principal de atuação.
A tendência de abandonar os longos deslocamentos diários também ganha força com a próxima geração que ingressará no mercado de trabalho. Uma pesquisa adicional do IWG mostra que três quartos (75%) da geração alfa (com idades entre 11 e 17 anos) afirmam que eliminar o tempo desperdiçado em deslocamentos será um fator fundamental na forma como irão organizar a sua rotina de trabalho no futuro.***
A busca por trabalhar mais perto de casa vem impulsionando o crescimento acelerado de espaços profissionais localizados fora dos grandes centros corporativos. O IWG adicionou mais de 1.100 unidades em 2025 e registrou a maior receita da sua história, acompanhando o crescimento da demanda por espaços de trabalho flexíveis em regiões residenciais e cidades menores.
“A geração Z está entrando no mercado de trabalho num momento de transformações profundas. Com a IA transformando rapidamente setores e atividades profissionais, esses jovens estão se adaptando por meio do desenvolvimento de novas habilidades, da diversificação de fontes de renda e da criação de carreiras portfólio, que ampliam o seu valor no mercado. Trata-se de uma geração ambiciosa e trabalhadora e formas mais flexíveis de trabalho estão ajudando esses profissionais a alcançar um potencial ainda maior. Ao reduzir longos deslocamentos diários e permitir que as pessoas trabalhem mais perto de casa, essa flexibilidade oferece aos jovens profissionais a possibilidade de se qualificar, colaborar e acessar novas oportunidades”, afirma Tiago Alves, CEO do IWG no Brasil.
Os resultados também dialogam diretamente com mercados como o Brasil. A pesquisa Gen Z & Millennial 2026, da Deloitte no Brasil, mostra que os profissionais mais jovens estão priorizando estabilidade financeira e bem-estar, ao mesmo tempo em que reconhecem cada vez mais a necessidade de se adaptar às transformações tecnológicas e incorporar ferramentas como a IA nas suas rotinas profissionais.
Notas aos editores
*Pesquisa realizada com 1.000 profissionais da geração Z no Reino Unido em fevereiro de 2026 pela Censuswide Research. A Censuswide é credenciada pela Market Research Society (MRS) e a pesquisa seguiu as diretrizes da MRS.
**Pesquisa realizada com 510 profissionais responsáveis por RH e contratação nos Estados Unidos em abril de 2026.
***Pesquisa realizada para o IWG pela Beano Brain, agência especializada em insights sobre crianças e famílias, com 1.000 crianças de 11 a 17 anos e 1.000 pais de crianças de 11 a 17 anos no Reino Unido e nos Estados Unidos (500 por mercado).
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