Moda artesanal é um dos destaques do 22º Salão do Artesanato em São Paulo

 

Técnicas ancestrais, design contemporâneo e sustentabilidade ganham espaço entre as diversas expressões do artesanato brasileiro, que reúne mais de 700 expositores de todo o país

O feito à mão ganha protagonismo em peças de roupas e acessórios que misturam técnica e expressão. Foto: Divulgação.

O artesanato brasileiro se expressa de maneira cada vez mais destacada na moda e chega forte ao 22º Salão do Artesanato — Raízes Brasileiras, que acontece de 13 a 17 de maio, no Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Reunindo mais de 700 artesãos de todos os estados do país e do Distrito Federal, o evento apresenta a diversidade cultural brasileira por meio de criações que articulam identidade, técnica e inovação.


Peças de roupas, acessórios, calçados, joias e biojoias dividem espaço com outras expressões do artesanato brasileiro, e chamam atenção pela forma como conectam território, experimentação e design. Mais do que produtos, são trabalhos que carregam narrativas de origem e processos que valorizam o tempo do fazer artesanal e manual.


De seringueiro a designer

Calçado em látex natural traduz a identidade amazônica em design contemporâneo. Foto: Dr da Borracha/Divulgação.

Entre os destaques está o designer acreano José Rodrigues de Araújo, conhecido como “Doutor da Borracha”. Ex-seringueiro, ele construiu sua trajetória a partir do conhecimento prático da floresta, transformando a seiva da seringueira em matéria de criação. Com apoio da Universidade de Brasília (UnB), passou a desenvolver a técnica das Folhas Semi Artefato (FSA), que permite moldar o látex em sandálias, bolsas e biojoias. Seu trabalho articula saber tradicional e pesquisa aplicada, inserindo a borracha nativa em um campo ampliado da moda sem romper com sua origem. “Me inspiro na floresta Amazônica. Quando vejo uma folha de árvore ou o traço de uma seringueira, já começo a imaginar o design de um sapato. Fico muito feliz em ver que o trabalho vem se consolidando no Brasil e no exterior, por ser 100% ecológico e sustentável”, afirma o artesão.


Sustentabilidade

Colar feito com rede de pescar camarão, descartada pelo pescador, recortada em fio e trabalhada no crochê, em forma de conchinhas. Foto: Redeiras/Divulgação.

As redes de pesca estão entre as principais fontes de poluição por plástico nos oceanos e também causam impactos diretos na fauna marinha. Nesse contexto, a marca Redeiras reúne, desde 2009, mulheres artesãs da Colônia de Pescadores São Pedro – Z-3, em Pelotas (RS), que, com apoio do Sebrae/RS, transformam resíduos da pesca, como redes de camarão descartadas, escamas e couro de peixe, em peças artesanais e biojoias.


Nas mãos habilidosas das artesãs, esses materiais ganham novos significados e se transformam em colares, bolsas e carteiras, unindo tradição, sustentabilidade, geração de renda e consumo consciente. O resultado já aparece nas encomendas de todo o Brasil e exterior. “A rede que o pescador usa por volta de cinco anos e descarta a gente lava e recorta pacientemente até formar um rolo de fios que são trabalhados no tear manual ou no crochê. Atendemos o público em geral, além de lojistas de diversos estados brasileiros e também já exportamos para Suíça, Reino Unido, Japão, França e Uruguai”, explica Rosani Raffi Schiller, artesã-gestora Redeira.

Clutch em bordado Labirinto no ponto chuvisco feita pela artesã Janaina Alves dos Santos, da Paraíba.

Outro destaque desta edição é a artesã Janaina Alves dos Santos, da Paraíba, reconhecida por seu trabalho com o bordado labirinto. A técnica tem origem em tradições europeias de bordados com fios desfiados, introduzidas no Brasil durante a colonização portuguesa, no século XVII, e ao longo do tempo foi incorporada à cultura nordestina, ganhando identidade própria. O processo é minucioso e envolve etapas como desfiar o tecido, torcer, encher e perfilar, resultando em peças delicadas e de alto valor artesanal. Tradicionalmente associado à decoração, o labirinto ganha novos usos nas mãos da artesã, que amplia sua aplicação para a moda. “Aprendi a técnica com minha mãe e minha avó e sou da terceira geração de labirinteiras. Fiz uma pós-graduação em fashion design e hoje aplico a técnica também em roupas e acessórios”, afirma.

Clutches em marchetaria integraram a edição passada do Salão Raízes Brasileiras. Foto: Divulgação.

Com o conceito “O artesanato está com tudo”, o Salão Raízes Brasileiras propõe um olhar ampliado sobre o setor, destacando como o fazer artesanal ocupa diferentes espaços da cultura contemporânea, da moda ao design, passando por objetos utilitários e produções de caráter artístico.


Realizado pela Rome Eventos, o 22º Salão do Artesanato conta com o apoio do Programa do Artesanato Brasileiro (PAB), do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP) e do Sebrae. O evento também conta com apresentações culturais e oficinas abertas ao público, ampliando sua proposta como espaço de experiência, formação e negócios.


Além de movimentar a economia criativa, o evento reforça práticas de sustentabilidade e inclusão social, consolidando-se como uma das principais vitrines do artesanato nacional.

Em 2025, a Bienal recebeu apresentação de coleção Muiraquitã, assinada por Maurício Duarte, estilista indígena. Foto: @jpontesfilm.

SERVIÇO:

22º Salão do Artesanato — Raízes Brasileiras

Local: Pavilhão da Bienal — Parque Ibirapuera - São Paulo (SP)

Data: de 13 a 17 de maio de 2026

Horários: Quarta a sexta, 14h às 21h - Sábado e domingo, 10h às 21h

Entrada gratuita                                                                                                            Pet friendly

Instagram: @salaodoartesanatooficial

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