Festival literário paulistano abre as portas no dia 30 de maio com programação paralela que reúne mais de 130 atividades gratuitas nos três Tablados Literários

Começa neste sábado, 30 de maio, a quinta edição d'A Feira do Livro, que ocupa a praça Charles Miller, no Pacaembu, em São Paulo, até o domingo, 7 de junho.
Ao longo desses nove dias, o festival literário paulistano promove mais de 200 atividades gratuitas, que integram a programação oficial, dividida entre o Palco da Praça, o Auditório do Museu do Futebol e o Espaço Rebentos, e a programação paralela, que ocupa os Tablados Literários.
Nos três Tablados Literários, pequenos espaços dedicados à programação organizada por editoras e instituições, expositores e parceiros apresentam lançamentos, autografam livros e realizam debates.
Com mais de 160 expositores, A Feira do Livro 2026 é uma vitrine da bibliodiversidade do mercado editorial brasileiro e faz parte da identidade do evento a pluralidade de vozes e temas. Essa diversidade se traduz diretamente na programação dos Tablados Literários, construída, sob coordenação de Paulo Werneck e Maria Clara Villas, por editoras, livrarias, coletivos, instituições culturais e projetos sociais de todo o país.
Esta edição traz como novidade a plataforma digital afeiradolivro.com.br, desenvolvida especialmente para que o público explore a programação oficial e paralela. Assim, os visitantes podem salvar os eventos de seu interesse automaticamente na agenda do Google e navegar pelas listas de autores convidados, editoras, livrarias e instituições presentes nos espaços expositivos. As notícias d’A Feira podem ser acompanhadas pelo perfil @afeiradolivro no Instagram e pela cobertura especial da Quatro Cinco Um, realizada na redação in loco, sob coordenação da editora executiva Beatriz Muylaert.
A Feira do Livro é uma realização da Associação Quatro Cinco Um, organização voltada para a difusão do livro no Brasil, da Maré Produções, empresa especializada em exposições de arte, e do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet. A direção geral é de Paulo Werneck, da Associação Quatro Cinco Um, e do arquiteto Alvaro Razuk, da Maré Produções. A direção executiva é de Mariana Shiraiwa.
Espaço Motiva Tablado Literário
Pelo segundo ano consecutivo, o Instituto Motiva patrocina e apoia a realização de um dos Tablados Literários d'A Feira do Livro.
Concebido como um espaço de convivência, troca e formação de leitores, o Espaço Motiva Tablado Literário receberá mais de 40 atividades ao longo dos nove dias do evento, incluindo debates, bate-papos, lançamentos e apresentações acerca de temas como democratização da leitura, música, literatura infantil, meio ambiente e cultura afro-brasileira. “Acreditamos que a cultura e a educação são caminhos potentes e necessários para ampliar o repertório e promover uma visão crítica e consciência social. Ao apoiar A Feira do Livro com uma programação especial de palestras e debates no Espaço Motiva e com a oferta de transporte gratuito aos visitantes, democratizamos o acesso à cultura e aproximamos as pessoas de experiências que inspiram”, afirma Renata Ruggiero, presidente do Instituto Motiva, “Essa iniciativa reforça nosso compromisso com o desenvolvimento de cidades mais inclusivas, humanas e sustentáveis, e com a redução das desigualdades sociais e territoriais", completa.
O dia começa com a mesa Democratizar é fazer chegar, reúne Ricardo Ohtake, Paulo Werneck, Aninha de Fatima Sousa em uma conversa com Renata Ruggiero para refletir sobre o papel de projetos culturais na ampliação do acesso ao livro.
Em Narrar o som, Letrux, Roberta Martinelli e Lorena Calábria se encontram para uma conversa sobre música, escrita, escuta e reinvenção; Águas de março reúne os ensaístas Augusto Massi, Arthur Nestrovski e Walter Garcia para desvendar o mistério da canção que Chico Buarque chamou de "o samba mais bonito do mundo"; Cartografia do som investiga como cenas musicais nascem da relação entre espaço urbano, juventude e desejo de pertencimento; e Tom Cardoso e André Simões debatem o ofício de narrar trajetórias artísticas a partir de Nem tanto esotérico assim: seis vezes Gil. E as atividades musicais ganham ainda mais brilho com a apresentação do grupo de Câmara do Instituto Baccarelli, organização que promove formação artística e desenvolvimento pessoal e educação em regiões periféricas de São Paulo.
Como parte das comemorações dos 70 anos de um dos mais célebres romances da literatura brasileira, Travessias do sertão celebra Grande sertão: veredas ao colocar lado a lado Ítalo Moriconi, Jacques Fux e Bruna Lombardi para propor novas aproximações à obra de Guimarães Rosa e refletir sobre o prazer da leitura e a força de um livro que atravessa gerações.
A literatura para a infância marca presença em múltiplos formatos: Marcelo Reis lança dois livros criados em parceria com a filha em Histórias que nascem juntas; Mariana Queiroz conversa sobre as mestras da cultura popular na literatura infantojuvenil afro-brasileira; as mesas Representatividade negra na literatura infantil e Estes livros não são (só) para ler sentado! expandem as possibilidades do livro como ferramenta na formação de crianças e jovens; e Crianças e o excesso de tela propõe uma reflexão sobre o papel do livro diante do imediatismo digital.
Meio ambiente, diversidade e criação literária também compõem o repertório do espaço. Em Cidades verdes de terceira geração no Brasil, o botânico Ricardo Cardim apresenta soluções para os dilemas urbanos brasileiros; a pesquisadora Ana Rüsche e a cineasta Gisele Mirabai debatem a emergência climática na literatura e no cinema; enquanto Virginia Mendonça Knabben e Carin Primavesi conversam sobre o legado de Ana Primavesi para a agroecologia no Brasil.
O produtor Rodrigo Teixeira, de Ainda estou aqui, fala sobre adaptações literárias para o cinema; e Beatriz Muylaert, Paula Carvalho e Sofia Mariutti debatem a arte de editar textos. A programação inclui ainda mesas sobre o luto como matéria literária, histórias LGBTQIA+, literatura de viagem por mulheres e o mercado editorial fora dos eixos consagrados.
Traslado gratuito Motiva
A parceria entre Motiva e A Feira do Livro vai além da programação. Pelo segundo ano consecutivo, a Motiva oferece traslado gratuito entre a Estação Paulista (Linha 4-Amarela) e a Praça Charles Miller.
Confira os horários abaixo:
Embarque para A Feira
Fins de semana e feriados: 10h–19h30 | Dias de semana: 14h–20h30
Retorno para a Estação Paulista
Fins de semana e feriados: 10h30–20h | Dias de semana: 14h30–21h
No dia 7 de junho, por conta da Parada LGBT+, o ponto de embarque acontecerá na Estação Oscar Freire, com os mesmos horários de partida.
Como parte do Circuito Cultural do Instituto Motiva, grupos de estudantes e participantes de projetos socioculturais apoiados pela instituição participarão de atividades especialmente pensadas para cada público, promovendo integração, formação cultural e aproximação com o livro e a leitura.
Tablado Literário Mário de Andrade
Localizado na ala oeste da Praça Charles Miller, o Tablado Literário Mário de Andrade reúne a programação elaborada pelos expositores e pela Prefeitura Municipal de São Paulo.
A Prefeitura mantém espaço expositivo no evento e está presente, por meio da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência, com interpretação de Libras na programação oficial; e, por meio da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, em parceria com a Coordenação Municipal de Políticas para LGBTI+, com a presença de duas Unidades Móveis de Atendimento, sendo uma unidade para atendimento LGBTI+ e outra para atendimento às mulheres. São equipamentos que reforçam o foco em ampliar a rede de proteção na cidade de São Paulo, garantindo acesso aos serviços da rede de enfrentamento à violência contra a mulher.
Democracia, autoritarismo, tecnologia e diversidade estão entre os temas que guiam a programação. Os pesquisadores do LAUT debatem as relações entre forças armadas, religião e política; e Vladimir Safatle e Michel Gherman discutem a compreensão contemporânea do fascismo como forma específica de violência.
A tecnologia é outro eixo presente: em Corpos, algoritmos e influência, pesquisadores discutem como redes sociais e vida online impactam desejos e identidades; já em Seremos dados, o escritor Marcus Bruzzo reflete sobre os limites entre autonomia e controle na era da inteligência artificial.
A literatura e a diversidade de formas narrativas marcam presença em mesas que vão do insólito na ficção latino-americana ao erotismo e à transgressão na obra de Machado de Assis, Hilda Hilst e Nelson Rodrigues. A transição de gênero na ficção contemporânea é tema de Ida sem volta, com Cadão Volpato e Luana Chnaiderman; e Grandes reportagens reúne Betina Anton e Simone Duarte para debater os desafios de narrar a violência política.
A relação entre livro, cultura e território é outro eixo da programação, com mesas sobre o papel das bibliotecas públicas na democratização da leitura e na economia criativa, e com a participação dos colunistas da Quatro Cinco Um em debate sobre crítica cultural, cobertura de livros e os desafios da recepção à crítica literária na atualidade.
Tablado Literário Bubu
Localizado ao lado do Bubu Restaurante, parceiro desde a primeira edição d’A Feira do Livro, o Tablado Literário Bubu traz o historiador português Rui Tavares em conversa sobre o Brasil e seus objetos de desejo político. A dimensão histórica da repressão é tema da mesa de José Godoy e Sílvia Gomez, que compartilham histórias de personagens atravessados pela violência política na América Latina.
De olho no futuro da leitura, o Tablado Literário Bubu recebe mesa que reúne especialistas para discutir o Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca de São Paulo, que está sendo renovado para mais uma década de vigência, em diálogo com o Plano Estadual e com o Plano Nacional do Livro e Leitura.
O mercado editorial e a criação literária são examinados por diferentes ângulos: Literatura independente e bibliodiversidade discute a concentração do setor; Literatura de mulheres negras e periféricas hoje debate os desafios das editoras independentes diante da crescente visibilidade de autoras afrodescendentes no catálogo de grandes editoras; enquanto Escrever, publicar, circular reúne editores de casas independentes para falar sobre o processo de lapidação do texto.
Marcelo Viana, diretor geral do IMPA e autor, reflete sobre os caminhos que os avanços da inteligência artificial podem abrir no ensino e na divulgação da matemática; e Alexey Dodsworth e Cristhiano Aguiar conversam sobre os rumos da ficção científica no Brasil, explorando modos brasileiros de pensar o futuro.
A criação literária como tema aparece em conversas sobre o prazer e o trabalho por trás de cada linha escrita com Michel Laub e Roberto Taddei; Bruno Ribeiro e Ricardo Mituti debatem como o cânone ecoa na literatura contemporânea; já Tarso de Melo e Fernando Paixão desmistificam a linguagem poética, abordando sua função, suas origens e as histórias que a constituem.
Apoios e parcerias
A Feira do Livro é uma construção coletiva, desde a programação até as atividades na praça para o público visitante.
O enjoei assume, pelo terceiro ano consecutivo, o seu lugar na rotatória da Praça Charles Miller com espreguiçadeiras e cadeiras para os leitores fazerem uma pausa entre um debate e outro. Além disso, faz a distribuição de brindes e dinâmica interativa de roleta promocional. A Kiro, de bebidas naturais a partir de ingredientes brasileiros, apresenta um rótulo especial com a identidade d’A Feira do Livro 2026, desenvolvida pelo Estúdio Campo. E a Frida & Mina, sorveteria paulistana sempre presente no festival, leva seus picolés artesanais com "palitos premiados", que valem mais um picolé ou até brindes da loja oficial d’A Feira do Livro.
O Pinheiro Neto Advogados realiza, em parceria com o Instituto Pró-Saber SP, uma ação de formação de leitores, levando ao festival um grupo de 40 jovens entre 14 e 17 anos para uma visita mediada, com direito a escolher um livro na livraria oficial.
Pelo quarto ano consecutivo, o Instituto Ibirapitanga firma sua parceria com A Feira do Livro para garantir que editoras independentes, periféricas, negras e sem fins lucrativos possam participar do festival literário paulistano sem arcar integralmente com os custos de exposição. Para a edição de 2026, nove expositores foram contemplados com isenção total ou parcial da taxa cobrada aos participantes.
A Companhia das Letras realiza diferentes ações durante o festival: uma edição ao vivo da Rádio Companhia, comemorativa dos 40 anos da editora, e uma ativação com a Kombi Penguin Companhia completa a experiência de convivência na praça. A Ecooar Biodiversidade garante a certificação d’A Feira com o Selo Verde Ecooar, compensando parte das emissões de CO₂ por meio de ações de preservação de floresta nativa no interior de São Paulo.
A Feira do Livro
30 de maio a 7 de junho de 2026
Horários:
Finais de semana e feriado: das 10h às 20h
Dias úteis (segunda, terça e quarta): das 14h às 21h
Praça Charles Miller, Pacaembu, São Paulo
A organização d’A Feira do Livro incentiva o público a ir para o festival a pé, de bicicleta, táxi, transporte por aplicativo ou transporte público, pois as vagas de estacionamento na região são limitadas. O festival conta com bicicletários e a Motiva oferece serviço de vans entre a Praça Charles Miller e o metrô.
A programação completa e eventuais atualizações devem ser consultadas diretamente na plataforma afeiradolivro.com.br — que deve ser considerada a fonte oficial.
Transporte gratuito — Motiva
Ida: Estação Paulista ➔ A Feira do Livro
Finais de semana e feriado: das 10h às 19h30
Dias úteis (segunda, terça e quarta): das 14h às 20h30
Volta: A Feira do Livro ➔ Estação Paulista
Finais de semana e feriado: das 10h30 às 20h
Dias úteis (segunda, terça e quarta): das 14h30 às 21h
No dia 7 de junho, por conta da realização da Parada do Orgulho LGBT+, o ponto de embarque e desembarque das vans será na Estação Oscar Freire.
https://www.afeiradolivro.com.
A Feira do Livro
Cléia Magalhães | cleia.magalhaes@associacao451.
Clarissa Bongiovanni | clarissa.bongiovanni@



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