Indústria têxtil paulista avança em 2025

 

A indústria têxtil do Estado de São Paulo encerrou 2025 com desempenho positivo na produção física industrial, com crescimento de 3,0% em relação a 2024, sinalizando recuperação gradual do segmento mesmo em um ambiente marcado por juros elevados, elevada incerteza global e desaceleração da demanda. Por outro lado, o setor de confecção apresentou leve retração de 0,1% no mesmo período, refletindo a maior sensibilidade da ponta final da cadeia ao comportamento do consumo doméstico e à intensificação da concorrência de produtos importados.


O desempenho produtivo teve reflexos diretos no mercado formal de trabalho. Segundo o CAGED, entre janeiro e dezembro de 2025, o setor têxtil criou 380 postos de trabalho formais, enquanto a confecção registrou o fechamento líquido de 1.371 vagas, resultando em um saldo negativo de 991 empregos na cadeia têxtil e de confecção no Estado. “O resultado representa uma reversão frente a 2024, quando a cadeia havia apresentado saldo positivo de cerca de 2 mil vagas, e evidencia a maior fragilidade da confecção em um contexto de custos financeiros elevados e pressão competitiva crescente”, aponta o presidente do Sinditêxtil-SP, Luiz Arthur Pacheco.


No comércio internacional, a balança comercial do setor manteve seu caráter estruturalmente deficitário. No acumulado de janeiro a dezembro de 2025, as exportações paulistas de produtos têxteis e de confecção (exceto fibra de algodão) somaram US$ 360 milhões, queda de 2,1% em relação ao ano anterior, enquanto as importações atingiram US$ 1,22 bilhão, com alta de 7,1%. O déficit comercial totalizou, assim, US$ 862 milhões.


As exportações tiveram maior presença em mercados como Argentina, Paraguai, Estados Unidos e Colômbia, ao passo que as importações foram impulsionadas principalmente por produtos originários da China, Estados Unidos, Índia, Bangladesh e Turquia


A estrutura do comércio exterior evidencia diferenças importantes ao longo da cadeia produtiva. Nas exportações, o segmento têxtil respondeu por 83% do total embarcado, enquanto, nas importações, a confecção representou 53% do valor total. Entre os produtos importados, destacam-se as confecções, que somaram US$ 645 milhões, com forte participação do vestuário, além do avanço relevante das compras externas de tecidos. Esse perfil reforça a maior exposição da etapa final da cadeia à concorrência internacional, especialmente em um cenário de demanda doméstica moderada e custos internos ainda elevados.


“De forma geral, 2025 foi um ano de recuperação moderada para a indústria têxtil paulista, mas de perda de dinamismo para a confecção, com reflexos no emprego e ampliação do déficit comercial. O desempenho do período reforça a importância de medidas voltadas ao fortalecimento da competitividade da cadeia produtiva, à promoção de isonomia concorrencial frente ao produto importado e à ampliação de mercados externos para os produtos paulistas”, analisa o executivo.


Informações adicionais: comunicacao@sinditextilsp.org.br.


Legenda da imagem: Luiz Arthur Pacheco, presidente do Sinditêxtil-SP. Crédito: Carol Carquejeiro 


Luiz Arthur Pacheco

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