Profissionais de diferentes gerações mostram como conhecimento, inovação e sentimento de pertencimento mantêm viva a história
de um dos mais importantes complexos hidrelétricos do Brasil
São Paulo, agosto de 2026 – Quando a Usina Henry Borden completar 100 anos de operação, em outubro, o centenário não celebrará apenas uma das maiores obras da engenharia hidrelétrica brasileira. A data também homenageia centenas de profissionais que, ao longo de um século, mantiveram em funcionamento um dos principais patrimônios da infraestrutura energética paulista e transformaram conhecimento, dedicação e espírito de equipe em um legado que atravessa gerações.
Ao longo dessas décadas, a usina acompanhou profundas transformações tecnológicas, passou por processos de modernização e incorporou novas formas de operação. Em comum entre todas essas mudanças está a atuação de pessoas que preservaram a história do complexo enquanto preparavam seu futuro. Entre elas está o supervisor de Operação Luis Gustavo Salgado Aguiar, que trabalha na Henry Borden há três décadas. Contratado em 1996, no concurso público da então Eletropaulo, ele acompanhou a criação da Emae e participou de importantes processos de modernização das usinas subterrânea e externa.
"Com toda a modernização, tivemos que aprender uma nova forma de operar. Era um passo necessário para manter uma usina centenária preparada para o futuro", resume.
A relação com a Henry Borden ultrapassou os limites do trabalho. Depois de morar na Vila Residencial entre 2001 e 2007, Luis Gustavo retornou ao local há cinco anos para viver novamente no local com a família.
"Todos se conhecem, os vizinhos são praticamente irmãos de trabalho e meus netos podem brincar na rua com segurança. É um lugar que mantém vivo o sentimento de pertencimento que sempre existiu por aqui."
Cuidar do passado para garantir o futuro
A preservação de um patrimônio centenário também marcou a trajetória de Fernando Zaghi Marcondes. Com 28 anos na empresa, em 2014, ele pediu transferência de São Paulo para a Henry Borden em busca de qualidade de vida e encontrou em Cubatão não apenas novos desafios profissionais, mas o lugar onde construiu sua família.
"A Usina Henry Borden tem um valor que vai muito além da minha profissão. Foi aqui que minha filha nasceu e onde consegui conciliar o trabalho com a vida em família. Também aprendi com profissionais que dedicaram décadas à usina e me ensinaram a importância de preservar esse patrimônio."
O conselho que costuma deixar aos colegas mais jovens resume sua visão sobre o legado da usina: "Aprendam a cuidar e zelar por este patrimônio e deixem para o próximo a condição em que gostariam de encontrar."
Uma nova geração assume o legado
Se Luis Gustavo representa a experiência e Fernando simboliza a preservação da memória, Wilson Alves Pereira, de 29 anos, representa o futuro da Henry Borden. Nascido em Santos, ele cresceu observando as tubulações que descem a Serra do Mar e sonhando em descobrir o que existia por trás daquela estrutura. O interesse virou profissão em 2019, quando ingressou na empresa, por meio de concurso público, como mecânico de manutenção.
Desde então, concluiu a graduação em Engenharia Mecânica e, neste ano, assumiu a coordenação de Operações.
"A Henry Borden me proporcionou tudo o que tenho hoje. Consegui me formar, construir minha família, morar em um lugar tranquilo e crescer como profissional e como pessoa. Agora, quero continuar estudando para contribuir ainda mais com a empresa."
Um século movido por pessoas
As histórias de Luis Gustavo, Fernando e Wilson representam diferentes gerações unidas pelo mesmo propósito: preservar um patrimônio que ajudou a impulsionar o desenvolvimento de São Paulo e garantir que a Henry Borden continue preparada para os próximos 100 anos.
Mais do que equipamentos, túneis, turbinas ou grandes obras de engenharia, o legado da usina foi construído por pessoas que transmitiram conhecimento, compartilharam experiências e fizeram da inovação uma aliada da tradição. É essa combinação que mantém viva, há um século, a história de uma das mais importantes hidrelétricas do país.
Sobre a Emae
A Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) é uma companhia privada que atua no setor de geração de energia elétrica por meio de fonte hídrica para o Sistema Interligado Nacional (SIN). Suas usinas e barragens estão localizadas em São Paulo, Região Metropolitana de São Paulo, Baixada Santista e Médio Tietê. Comprometida com a transição e a segurança energética do país e em diversificar suas fontes de energia, a Emae tem participação na Usina Fotovoltaica Flutuante (UFF Araucária), localizada no reservatório Billings, primeira e maior usina solar flutuante do país. Em janeiro de 2026, a aquisição do controle acionário pela Sabesp foi efetivada, ampliando as sinergias operacionais entre água e energia na Região Metropolitana de São Paulo.



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