A viabilização econômica exigiria abandonar a ideia de que projetos de paz dependem apenas de doação, patrocínio eventual ou boa vontade institucional. O modelo precisa gerar receitas próprias, atrair investimento e provar impacto.
Um caminho seria criar um Fundo Global do Bem-Receber, iniciado no Brasil e expandido para a América do Sul, abastecido por múltiplas fontes: contribuição de eventos participantes, percentual de pacotes turísticos certificados, patrocínios de marcas alinhadas a ESG, recursos de cooperação internacional, fundos climáticos, editais culturais, investimento de impacto, filantropia estratégica e contrapartidas públicas. Parte dos recursos financiaria infraestrutura local, capacitação, inovação, restauração ambiental, acessibilidade, segurança turística, comunicação e tecnologia.
Outra frente seria lançar uma certificação de Destinos da Paz e do Bem-Receber, com critérios objetivos: compras locais, trabalho decente, diversidade, acessibilidade, gestão climática, proteção cultural, governança comunitária, segurança, qualidade da experiência e legado positivo. Essa certificação poderia gerar valor reputacional para destinos, hotéis, operadoras, eventos, companhias aéreas, centros de convenções e empresas patrocinadoras.
Também seria possível estruturar uma plataforma digital de experiências regenerativas, reunindo roteiros, eventos, imersões, intercâmbios, residências criativas, viagens educativas, turismo comunitário, gastronomia de origem, voluntariado responsável e programas corporativos de aprendizagem. A plataforma não venderia apenas “viagens”, mas jornadas de transformação com impacto rastreável.
O quarto mecanismo seria o contrato de legado. Todo grande evento participante assumiria compromissos antes, durante e depois de sua realização: contratação de fornecedores locais, redução de resíduos, inclusão de pequenos negócios, neutralização climática responsável, formação de jovens, acessibilidade, apoio a projetos comunitários e entrega de indicadores públicos. A norma ISO 20121:2024 oferece referência internacional para sistemas de gestão de sustentabilidade em eventos, aplicável ao planejamento e à execução de eventos de diferentes tipos e escalas. (ISO)



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