Com direção de Nuno Ramos e Eduardo Climachauska, a ópera narra a trajetória de um trabalhador migrante em um contexto de violências e opressões. Conhecida pelo uso de técnicas experimentais, a obra é célebre por montagens inovadoras e experiências surpreendentes
Foto: Rafael Salvador.
Segunda ópera da temporada de 2026, Intolleranza 1960, de Luigi Nono, será apresentada no Theatro Municipal de São Paulo em uma estreia da obra no Brasil e na América Latina. Categorizada como uma “azione scenica”, a apresentação dessa obra ao público da capital paulista será sob a direção de Nuno Ramos e Eduardo Climachauska, ambos artistas renomados das artes visuais, além de escritores e cineastas. Criada no pós-guerra, ecoando as marcas do fascismo e da bomba de Hiroshima, a ópera ganha datas nos dias 29, 30 e 31 de maio e 02, 03, 05 e 06 de junho. A apresentação terá Priscila Bomfim na direção musical e Hernán Sánchez Arteaga na regência do Coro Lírico Municipal. A ópera tem patrocínio de Bradesco e Elevadores Atlas Schindler.
Com música e libreto do próprio Nono, a partir de uma ideia de Angelo Maria Ripellino, a obra narra a trajetória de um trabalhador migrante confrontado pela opressão: preso e levado a um campo de concentração, ele se torna símbolo das violências e da luta por direitos humanos no século XX. Segundo Carola Nielinger-Vakil em seu livro Luigi Nono: a composer in context, a obra do compositor se trata de “uma combinação única de composição de vanguarda com compromisso político”.
Nuno Ramos e Eduardo Climachauska, responsáveis pela montagem de Intolleranza 1960.
O libreto reúne textos e referências de grandes nomes do pensamento e da poesia, compondo uma dramaturgia fragmentada e intensa. Ao mesmo tempo, Intolleranza se destaca como criação de vanguarda pelo uso de técnicas experimentais, como projeções, filmes, textos e sons eletrônicos. Nono dedicou a obra ao seu sogro, Arnold Schoenberg, compositor austríaco de música erudita e criador do dodecafonismo, um dos mais revolucionários e influentes estilos de composição do século XX.
Responsável pela montagem, ao lado de Eduardo Climachauska, Nuno Ramos explica os signos escolhidos para guiar a dinâmica cênica da obra. “Intolleranza 1960 é uma ópera que trata a contemporaneidade enquanto catástrofe. Dessa gigantesca catástrofe elegemos alguns signos. Talvez o mais forte deles seja a cúpula que restou da explosão atômica de Hiroshima. Vamos replicar essa cúpula no palco do Theatro Municipal, e ela será um personagem forte dentro do trabalho”, pontua.
A cenografia é assinada por Renan Marcondes e Marcus Garcia, enquanto o design de luz fica a cargo de Mirella Brandi. O figurino é criado pelo estilista João Pimenta, Celso Kamura é responsável pelo desenvolvimento de visagismo e a direção de movimento, e coreografia é de Alejandro Ahmed, diretor artístico do Balé da Cidade de São Paulo. O design de vídeo é desenvolvido por Vic Von Poser, e a assistência de direção cênica e musical é realizada por Piero Schlochauer.
Nos dias 29, 31, 03 e 06, o elenco conta com Peter Tantsits como Um Imigrante, Maria Carla Pino Cury como Sua Companheira e Caroline De Comi como Soprano Solo. Já nos dias 30, 02 e 05, os papéis de Um Imigrante, Sua Companheira e Soprano Solo são interpretados, respectivamente, por Giovanni Tristacci, Gabriela Geluda e Laryssa Alvarazi.
Foto: Rafael Salvador.
“Esta é uma experiência única que o Theatro Municipal propõe ao público brasileiro e latinoamericano, afinal, trata-se de uma ópera inédita aqui e de raras montagens ao redor do globo”, explica Andrea Caruso Saturnino, superintendente do Complexo Theatro Municipal de São Paulo. “Por trabalhar com uma diversidade de linguagens artísticas e acionar temas tão interessantes, essa obra tem sido inesquecível sempre que apresentada. É um acontecimento e uma alegria para todos nós ter esse título no nosso Theatro”, completa.
Vozes, gritos e sobreposições sonoras que transformam o palco em uma espécie de praça pública, onde arte e política se confundem e se tensionam continuamente. Pouco conhecida do público brasileiro, Intolleranza se revela um acontecimento artístico radical, intenso e inesquecível, reafirmando sua importância para a renovação da criação operística no século XX e sua potência crítica.
SERVIÇO
Intolleranza 1960
Ópera com música e libreto de Luigi Nono, a partir de uma ideia de Angelo Maria Ripellino
Sala de Espetáculos – Theatro Municipal de São Paulo
ORQUESTRA SINFÔNICA MUNICIPAL
CORO LÍRICO MUNICIPAL
Datas e horários
29 de maio, sexta-feira, às 20h
30 de maio, sábado, às 17h
31 de maio, domingo, às 17h
02 de junho, terça-feira, às 20h
03 de junho, quarta-feira, às 20h
05 de junho, sexta-feira, às 20h
06 de junho, sábado, às 17h
Direção musical
Priscila Bomfim
Regência do Coro Lírico Municipal
Hernán Sánchez Arteaga
Direção cênica
Nuno Ramos e Eduardo Climachauska
Cenografia
Renan Marcondes e Marcus Garcia
Design de luz
Mirella Brandi
Figurino
João Pimenta
Desenvolvimento de visagismo
Celso Kamura
Direção de movimento e coreografia
Alejandro Ahmed
Design de vídeo
Vic Von Poser
Assistente de direção cênica e musical
Piero Schlochauer
Elenco
Dias 29, 31, 03 e 06
Peter Tantsits – Um Imigrante
Maria Carla Pino Cury – Sua Companheira
Caroline De Comi – Soprano Solo
Dias 30, 02 e 05
Giovanni Tristacci – Um Imigrante
Gabriela Geluda – Sua Companheira
Laryssa Alvarazi – Soprano Solo
Todas as datas
Marly Montoni – Uma Mulher
Isaque Oliveira – Um Argelino
Anderson Barbosa – Um Torturado
Programa
Intolleranza 1960
Editor original: Schott Music
Representante exclusivo: Barry Editorial
Ingressos de R$ 47 a R$ 290 (inteira)
Duração de 80 minutos
Classificação: Acima de 14 anos
SOBRE O COMPLEXO THEATRO MUNICIPAL DE SÃO PAULO
O Theatro Municipal de São Paulo é um equipamento da Prefeitura da Cidade de São Paulo ligado à Secretaria Municipal de Cultura e à Fundação Theatro Municipal de São Paulo.
O edifício do Theatro Municipal de São Paulo, assinado pelo escritório Ramos de Azevedo em colaboração com os italianos Claudio Rossi e Domiziano Rossi, foi inaugurado em 12 de setembro de 1911. Trata-se de um edifício histórico, patrimônio tombado, intrinsecamente ligado ao aperfeiçoamento da música, da dança e da ópera no Brasil. O Theatro Municipal de São Paulo abrange um importante patrimônio arquitetônico, corpos artísticos permanentes e é vocacionado à ópera, à música sinfônica orquestral e coral, à dança contemporânea e aberto a múltiplas linguagens conectadas com o mundo atual (teatro, cinema, literatura, música contemporânea, moda, música popular, outras linguagens do corpo, dentre outras).
Oferece diversidade de programação e busca atrair um público variado. Além do edifício do Theatro, o Complexo Theatro Municipal também conta com o edifício da Praça das Artes, concebido para ser sede dos Corpos Artísticos e da Escola de Dança e da Escola Municipal de Música de São Paulo.
Sua concepção teve como premissa desenhar uma área que abraçasse o antigo prédio tombado do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo e que constituísse um edifício moderno e uma praça aberta ao público que circula na área.
Inaugurado em dezembro de 2012 em uma área de 29 mil m², o projeto vencedor dos prêmios APCA e ICON AWARDS é resultado da parceria do arquiteto Marcos Cartum (Núcleo de Projetos de Equipamentos Culturais da Secretaria da Cultura) com o escritório paulistano Brasil Arquitetura, de Francisco Fanucci e Marcelo Ferraz.
Quem apoia institucionalmente nossos projetos, via Lei de Incentivo à Cultura: Bradesco, CAIXA Vida e Previdência, Elevadores Atlas Schindler, Mobilize, igc Partners, Scotiabank, CAIXA Seguridade. Pessoas físicas também fortalecem nossas atividades através de doações incentivadas.
SOBRE A SUSTENIDOS
A Sustenidos é uma organização referência na concepção, implantação e gestão de políticas públicas na área cultural que já impactou a vida de mais de 2 milhões de pessoas em 25 anos de atuação. Atualmente, é gestora do Complexo Theatro Municipal de São Paulo, do Conservatório de Tatuí e do Musicou, além do projeto especial MOVE e o festival Big Bang. De 2004 a 2021, também foi gestora do Projeto Guri, maior programa sociocultural brasileiro. Eleita pelo prêmio Melhores ONGs a Melhor ONG de Cultura em 2018 e uma das 100 Melhores ONGs do Brasil em 2022, a Sustenidos conta com o apoio do Governo do Estado de São Paulo, da Prefeitura Municipal de São Paulo e outras, de empresas e pessoas físicas. As instituições interessadas em investir na Sustenidos podem contribuir por verba livre ou através das Leis de Incentivo à Cultura (Federal e Estadual). Pessoas físicas também podem ajudar de diferentes maneiras. Saiba como contribuir no site da Sustenidos.



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