Enredo de 'Batalha Oroboro' conquista público em apresentações na capital paulista

 


Peça com marionetes de fio da companhia Pequeno Teatro do Mundo reuniu cerca de 150 pessoas e promoveu um diálogo sensível entre gerações, o rap e o repente

Dinâmico, emocionante e surpreendente foram algumas das palavras usadas pelo público para descrever a “Batalha Oroboro”, mais novo espetáculo de marionetes de fio da companhia Pequeno Teatro do Mundo, apresentado na capital paulista entre os dias 9 e 12 de abril. Durante os quatro dias de evento, passaram pelo Espaço Sobrevento, na Zona Leste de São Paulo, 152 pessoas — um público diversificado, formado por profissionais de diferentes setores. O que todos eles têm em comum é o interesse pela arte e pelos sentimentos e reflexões que ela é capaz de provocar.

A peça evidenciou como Nordeste e Sudeste se conectam na musicalidade ao mostrar a influência do repente no rap paulista, que faz parte da identidade cultural de São Paulo. Para Mariane Barros, com pais oriundos do sertão nordestino, a temática dialoga com a realidade de muitos moradores da cidade e desperta novos olhares sobre pertencimento. “Cruzamos essas histórias de personagens fictícios com nossas histórias reais”, ponderou ela. “A mensagem que o espetáculo passou foi muito legal. O final também é bem impactante”, elogiou o empresário Samuel Dalpino, que assistiu pela primeira vez a uma apresentação com marionetes.

O enredo também tocou profundamente artistas que prestigiaram o evento, a exemplo da atriz Isabela Caetano: “Achei muito interessante essa conexão entre o repente e o rap. Realmente, como eles falam, é uma conexão ancestral muito bonita”. Já o cantor lírico Rodrigo Ferreira classificou a abordagem como viva e humana. “O espetáculo é muito moderno. Todos os temas que ele aborda são muito atuais”, avaliou. “É um dos melhores espetáculos de teatro de bonecos que eu já vi nos últimos dez anos”, afirmou o titeriteiro Celso Ohi, profissional que trabalha com manipulação de bonecos.

Do Cariri ao palco da metrópole

Na visão de Fábio Retti, marionetista e cofundador da companhia, a recepção positiva do público valida o propósito do estudo desenvolvido pela equipe para a construção da obra. “Fruto de um trabalho intenso de pesquisa no Cariri (CE) e em São Paulo, com a participação de profissionais de referência, o espetáculo foi desenhado para evocar emoções intensas. Ver que as temáticas trabalhadas ressoaram de forma tão genuína nas pessoas já nessa abertura de processo é o que torna essa experiência realmente forte e gratificante”, refletiu o artista.

“Batalha Oroboro” resulta do projeto “Do Rap ao Repente — Uma Pesquisa Geracional”,  idealizado e realizado pelo grupo Pequeno Teatro do Mundo, de Bragança Paulista (SP). A iniciativa conta com o fomento da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), via Ministério da Cultura e Governo Federal, além do apoio do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas e do Programa de Ação Cultural (ProAC).



O espetáculo uniu a técnica das marionetes de fio ao universo do rap e do repente “Batalha Oroboro” atraiu público diversificado nos quatro dias de apresentação no Espaço Sobrevento, em São Paulo Mariane Barros prestigiou o evento e destacou a conexão entre a peça e a realidade dos moradores da capital paulista

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