Gado europeu, zebu ou cruzado: como a raça influencia a infestação por carrapatos

 


Raças europeias apresentam maior predisposição à infestação, enquanto zebuínos e cruzados exigem controle adaptado ao perfil genético


A escolha genética do rebanho impacta diretamente o desempenho produtivo e a susceptibilidade aos carrapatos. Estudos técnicos amplamente difundidos pela Embrapa indicam que bovinos de origem europeia (Bos taurus) apresentam maior predisposição à infestação por Rhipicephalus microplus, principal ectoparasita da pecuária brasileira. 


De forma geral, estima-se que mais de 90% da carga parasitária observada em determinadas regiões tende a se concentrar em animais com maior proporção genética europeia. Já os zebuínos (Bos indicus), como o Nelore, base do rebanho nacional, apresentam maior resistência natural ao carrapato, segundo dados da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ). 


Pelagem, pele e resposta imunológica 


A diferença está associada a fatores como espessura da pele, densidade e características da pelagem, maior capacidade de reação inflamatória no local da picada e comportamento de defesa mais ativo nos zebuínos. Esses fatores dificultam a fixação e o desenvolvimento do parasita. 


Raças europeias, amplamente utilizadas em sistemas intensivos e na produção de carne de alta qualidade, apresentam pele mais fina e menor resistência natural, o que favorece a alimentação do carrapato e a multiplicação no ambiente. 


E os cruzamentos industriais? 


Nos últimos anos, os cruzamentos industriais, especialmente entre Angus e Nelore, ganharam espaço como estratégia para combinar desempenho produtivo e rusticidade. No entanto, Fernando Dambrós, gerente de produtos antiparasitários (endo e ecto) da Ourofino Saúde Animal, alerta que apesar dos cruzamentos industriais alterarem essa dinâmica, eles não eliminam o risco sanitário.  


Segundo o especialista, o perfil genético altera a dinâmica da infestação, mas não substitui o controle estratégico: “Animais cruzados podem apresentar resistência intermediária, mas continuam expostos à pressão parasitária do ambiente. A genética ajuda, mas não é suficiente para garantir proteção. O que determina o sucesso no controle é um programa sanitário bem estruturado e adaptado ao perfil do rebanho.” 


Dambrós explica que propriedades com maior proporção de sangue europeu costumam registrar infestações mais intensas e necessidade de monitoramento mais frequente: “O produtor precisa entender que cada composição genética exige um nível de atenção diferente. Sistemas com maior presença de Bos taurus tendem a demandar controle mais rigoroso, principalmente em períodos de alta umidade e temperatura.” 


Resistência genética não substitui estratégia sanitária 


Mesmo em rebanhos predominantemente zebuínos, a resistência natural não significa imunidade. Sob alta pressão parasitária, animais resistentes também podem apresentar cargas elevadas de carrapatos, com impactos produtivos relevantes. 


Além das perdas diretas, como queda no ganho de peso e na produção de leite, o carrapato é vetor da Tristeza Parasitária Bovina (TPB), aumentando riscos sanitários e custos com tratamentos. 


“A resistência genética é uma aliada importante, mas não elimina a necessidade de controle estratégico. Quando o produtor subestima o risco por trabalhar com zebu ou cruzado, pode acabar enfrentando surtos inesperados”, alerta Dambrós. 


Outro ponto relevante é a questão da resistência aos princípios ativos. Aplicações inadequadas, intervalos incorretos ou uso sem orientação técnica favorecem a seleção de carrapatos resistentes, tornando o controle mais complexo ao longo do tempo. 


Dentro desse cenário, a Ourofino Saúde Animal destaca o NexLaner, primeiro ectoparasiticida à base de fluralaner desenvolvido por uma empresa brasileira. A solução amplia o acesso a uma tecnologia reconhecida pela alta eficácia no controle de carrapatos, contribuindo para programas sanitários mais eficientes e adaptados ao perfil genético do rebanho. 


A evolução genética do rebanho brasileiro é um dos pilares da competitividade da pecuária nacional. Porém, o especialista reforça que produtividade e sanidade precisam caminhar lado a lado. “Independentemente da raça: europeia, zebuína ou cruzada, o controle parasitário deve ser planejado de forma estratégica, considerando clima, pressão ambiental e perfil genético dos animais. A decisão correta impacta diretamente o desempenho produtivo e a sustentabilidade do sistema ao longo do ano”, reforça Dambrós. 



Sobre a Ourofino Saúde Animal   

Fundada em 1987, a Ourofino Saúde Animal é uma das maiores empresas do setor farmacêutico-veterinário de origem brasileira e referência em inovação, sustentabilidade e bem-estar animal. Com sede em Cravinhos (SP), possui um dos complexos industriais mais modernos da América Latina, incluindo linhas para comprimidos, injetáveis, vacinas e biológicos. Presente em mais de 60 países, mantém operações diretas no México e na Colômbia, combinando ciência, tecnologia e proximidade com o produtor. Investe cerca de 8% da receita líquida em P&D, desenvolvendo soluções eficazes e seguras para animais de produção e de companhia. Reconhecida como a melhor empresa para trabalhar no agronegócio pela Great Place to Work, também adota práticas sustentáveis e segue elevados padrões de governança desde sua abertura de capital no Novo Mercado da B3.   

Postar um comentário

0 Comentários