Medicina nuclear é chave para diagnóstico de câncer de pulmão

 


Estudo da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) aponta que o fortalecimento dos serviços de exame de imagem e medicina nuclear pode melhorar resultados de pacientes com a doença

 

A medicina nuclear utiliza quantidades mínimas de radiação para realizar exames e tratamentos e é uma das áreas mais relevantes na medicina, principalmente quando se trata de diagnóstico. É uma ciência que permite avaliar os tecidos, visualizando detalhes e alterações, mesmo quando não existem mudanças no corpo.

 

“Com o uso de ferramentas de medicina nuclear, a detecção de doenças ainda em estágio inicial tem mais chances e, consequentemente, crescem também as possibilidades de tratamentos adequados que possam contribuir para a cura do paciente”, afirma Carlos Gil Ferreira, oncologista torácico e presidente do Instituto Oncoclínicas.

 

Segundo o estudo publicado recentemente no JCO Global Oncology, metade dos casos de câncer de pulmão ocorre em países de baixa e média renda. O Banco de Dados de Recursos Globais de Imagens Médicas e Medicina Nuclear da AIEA, IMAGINE, relata grandes desigualdades nas capacidades de diagnóstico relevantes dos países.

 

Em países de alta renda, um scanner de tomografia computadorizada (TC) atende uma média de 25.000 pessoas, já em países de baixa renda o número cai para 1,7 milhão de pessoas. Além disso, o diagnóstico deve ser combinado com a disponibilidade de tratamentos que, em geral, estão disponíveis em mais de 90% dos países de alta renda, mas em menos de 30% dos países de baixa renda. “Os exames de imagem e a medicina nuclear, sobretudo o PET-Scan, desempenham papel essencial na triagem, diagnóstico precoce, estadiamento preciso, tratamento e acompanhamento de pacientes com câncer de pulmão e a inequidade de acesso precisa ser combatida urgentemente”, diz Carlos Gil.

 

O câncer de pulmão continua sendo a principal causa de morte prematura entre pessoas com menos de 75 anos em todo o mundo. Em 2018 foram mais de 1,8 milhão de vidas perdidas para a doença e sua prevalência está aumentando entre as mulheres, superando atualmente o câncer de mama em 28 países. “Se for diagnosticado em estágio inicial, o tratamento para o câncer de pulmão tem alta chance de cura. Mas infelizmente na maioria das vezes é detectado em estágios avançados”, afirma Carlos Gil Ferreira. O diagnóstico tardio se dá pela característica da doença, que geralmente apresenta sintomas mais evidentes em estágios avançados, mas também pela dificuldade de acesso a tecnologia e tratamentos em populações mais pobres.

 

O estudo apresenta lacunas em diagnósticos e terapias em todo o mundo e mostra que é fundamental uma mudança para o diagnóstico de câncer de pulmão em estágios iniciais para o manejo adequado desses pacientes. E faz um apelo por melhorias na infraestrutura global de imagens médicas e medicina nuclear para melhorar os resultados igualmente para todos os pacientes com câncer de pulmão.

 

 

Sobre Dr. Carlos Gil Ferreira

 

Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal de Juiz de Fora (1992) e doutorado em Oncologia Experimental - Free University of Amsterdam (2001). Foi pesquisador Sênior da Coordenação de Pesquisa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) entre 2002 e 2015, onde exerceu as seguintes atividades: Chefe da Divisão de Pesquisa Clínica, Chefe do Programa Científico de Pesquisa Clínica, Idealizador e Pesquisador Principal do Banco Nacional de Tumores e DNA (BNT), Coordenador da Rede Nacional de Desenvolvimento de Fármacos Anticâncer (REDEFAC/SCTIE/MS) e Coordenador da Rede Nacional de Pesquisa Clínica em Câncer (RNPCC/SCTIE/MS). Desde 2018 é Presidente do Instituto Oncoclínicas e Diretor Científico do Grupo Oncoclínicas. No âmbito nacional e internacional foi Membro Titular da Comissão Científica (CCVISA) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). No âmbito internacional é membro do Board, Career Development and Fellowship Committee e do Bylaws Committee da International Association for the Research and Treatment of Lung Cancer (IALSC);Diretor no Brasil da International Network for Cancer Treatment and Research (INCTR); Membro do Board da Americas Health Foundation (AHF). Editor do Livro Oncologia Molecular (ganhador do Prêmio Jabuti em 2005) e Editor Geral da Série Câncer da Editora Atheneu. Já publicou mais de 120 artigos em revistas internacionais. Em 2020, recebeu o Partners in Progress Award da American Society of Clinical Oncology. Presidente Eleito da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica para o período 2023-2025.


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