Experiências imersivas: o que explica o desejo de viver uma história de perto


Novos formatos ampliam o entretenimento presencial e abrem espaço para marcas e produtores explorarem novas formas de engajamento e relacionamento com o público

Black Mirror Experience (Imagem: Bilheteria Digital)

Entrar no universo de uma série, percorrer ambientes que reconstroem um acontecimento histórico ou conhecer de perto a trajetória de um ícone da música são possibilidades oferecidas pelas experiências imersivas, formato de evento cada vez mais visto no mercado de entretenimento presencial. Essas atrações combinam narrativa, ambientação, memória e interação para aproximar o público de histórias e referências com as quais já mantém algum tipo de identificação.

Um recorte desse comportamento aparece em estudo da McKinsey publicado em 2026 sobre location-based entertainment. Segundo a consultoria, consumidores da geração Z são 1,5 vez mais propensos que a população geral a visitar uma experiência imersiva. Esse interesse também se reflete no portfólio da BD (Bilheteria Digital), que reúne atrações construídas a partir de diferentes formatos de narrativa, ambientação e interação com o público.

“Temos percebido um avanço das experiências imersivas dentro do mercado de entretenimento, com atrações que exploram universos, histórias e formatos bastante diferentes. Esse movimento amplia as possibilidades para produtores e marcas, mas também exige uma compreensão mais detalhada do que leva o público a participar dessas experiências. Algumas pessoas chegam por já serem fãs de determinado universo, enquanto outras são mobilizadas pela curiosidade, pelo interesse histórico ou pela relação afetiva com uma narrativa. Entender essas motivações ajuda a desenvolver formatos e estratégias de comunicação mais alinhados ao perfil de cada público” , afirma Guilherme Feldman, CEO da BD.

 

Por que o público quer entrar na história?

A psicologia ajuda a entender parte desse interesse por meio do “transporte narrativo”. O conceito descreve o envolvimento que leva uma pessoa a concentrar a atenção em uma história, imaginar suas cenas e estabelecer conexões emocionais com personagens e acontecimentos. O fenômeno foi analisado por Melanie Green e Timothy Brock em um estudo publicado em 2000 no Journal of Personality and Social Psychology.

Uma pesquisa publicada em 2025 retomou o conceito ao investigar o uso da realidade aumentada na apresentação de destinos históricos. Os resultados indicam que conteúdos mais vívidos ampliam a conexão com a narrativa e a sensação de presença no ambiente retratado. Segundo o estudo, esse processo também pode estimular o interesse em conhecer outros locais apresentados por meio da tecnologia.

Embora as pesquisas tenham recortes distintos, elas ajudam a compreender o interesse por experiências imersivas. Ao reunir cenários, sons, objetos e possibilidades de interação, essas atrações transformam referências conhecidas pela televisão, pelos livros ou pela música em uma vivência presencial, permitindo que o público estabeleça uma forma de contato mais próxima com a história.

 

Da ficção à memória, diferentes caminhos para a imersão

Essa diversidade aparece na forma como diferentes atrações constroem o envolvimento. Em Black Mirror Experience, o público assume o papel de protagonista de uma narrativa original na série e, ao longo do percurso, toma decisões que podem alterar o desenvolvimento e o desfecho da história. A experiência combina cenários físicos e realidade virtual em grupos de até seis participantes.Já Titanic: Uma Viagem Imersiva combina artefatos, recriações de ambientes e recursos audiovisuais para aproximar o visitante de um acontecimento histórico presente no imaginário coletivo.

Há ainda experiências que partem de vínculos afetivos construídos ao longo do tempo. A Elvis Exhibition, por exemplo, se apoia na relação entre música, memória cultural e comunidade de fãs para criar uma conexão com a trajetória do artista. A arte também pode servir como ponto de partida para esse tipo de experiência, como mostra a Capela Sistina de Michelangelo, que aproxima o público de um dos principais referenciais da história da arte por meio de uma proposta imersiva.

Os quatro exemplos também refletem a presença atual desse tipo de atração no calendário de entretenimento: Black Mirror Experience segue com sessões em São Paulo até dia 31 de outubro de 2026, Titanic: Uma Viagem Imersiva estreou para o público em Curitiba em 18 de setembro e Elvis Exhibition chega a Porto Alegre em 2 de outubro e a experiência da Capela Sistina de Michelangelo segue em cartaz até 31 de outubro.

Com propostas e públicos distintos, as atrações ajudam a mostrar como participação, curiosidade histórica, nostalgia, interesse pela arte e identificação podem funcionar como diferentes portas de entrada para o consumo de experiências imersivas.

 

Novas possibilidades para marcas e produtores

Para marcas e produtores, esses formatos ampliam os pontos de contato com consumidores. A própria McKinsey aponta que experiências presenciais podem aprofundar o relacionamento com fãs mais engajados e alcançar diferentes audiências. Histórias conhecidas pelas telas, personagens e artistas ganham presença física e abrem novas possibilidades de comunicação, relacionamento e posicionamento.

Nesse contexto, compreender as diferentes motivações do público ganha relevância para decisões que envolvem desde o formato da atração até sua comunicação. Memória afetiva, interesse histórico, participação, arte e identificação com determinados universos podem ter pesos diferentes de acordo com cada experiência. Para marcas e produtores, reconhecer essas particularidades ajuda a definir quais atributos destacar e como estabelecer uma conexão mais coerente com cada audiência.

“Quando analisamos esse movimento, percebemos que memória, ambientação e interação podem assumir pesos diferentes em cada proposta. Para produtores e marcas, o desafio está em traduzir esse conhecimento sobre o público em decisões de formato, comunicação e posicionamento que façam sentido para aquela experiência”, acrescenta Feldman.

A expansão das experiências imersivas amplia o repertório de um mercado de eventos culturais e do entretenimento presencial. Para marcas e produtores, esses formatos criam novas formas de conexão com o público e reforçam a importância de compreender quais histórias, referências e interações são capazes de transformar interesse em uma experiência vivida de perto.

Sobre a BD

Fundada em 2009, a BD (Bilheteria Digital) é uma das principais plataformas de venda de ingressos do país, e oferece soluções completas de acompanhamento de vendas e controle de acesso para produtores de eventos. A empresa já comercializou cerca de 40 milhões de ingressos em todo o Brasil e realiza, anualmente, mais de 7 mil atrações em diferentes segmentos. No portfólio, estão projetos de grande sucesso, como Tardezinha, Festival de Parintins, Olinda Beer e Capital Moto Week, além da expansão contínua no setor esportivo com eventos como os jogos da seleção brasileira. O diferencial da BD está na combinação entre tecnologia, personalização e eficiência, conectando fãs a experiências marcantes e garantindo aos produtores o suporte necessário para alcançar o sucesso.

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