Dados do IBGE apontam aumento dos imóveis de uso ocasional no município; busca por conforto, infraestrutura e qualidade de vida ajuda a explicar as mudanças no perfil dos empreendimentos
Conhecida pelos ranchos às margens do Rio Grande e pelas atividades náuticas na represa de Jaguara, Rifaina, no interior paulista, vive uma transformação no mercado imobiliário. Os imóveis tradicionais, usados para pescarias e encontros de fim de semana, agora dividem espaço com condomínios planejados, que oferecem áreas de lazer, segurança e serviços compartilhados.
A mudança acompanha um novo perfil de comprador. A segunda residência, antes associada principalmente às temporadas de descanso, também passou a atender quem busca lazer em família, qualidade de vida ou uma oportunidade de investimento.
Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ajudam a dimensionar esse movimento. Rifaina tinha 503 domicílios de uso ocasional em 2010, categoria que inclui imóveis utilizados em férias e fins de semana. Em 2022, eram cerca de mil, segundo levantamento da plataforma Caravela com base nos dados do instituto. Em 12 anos, o número praticamente dobrou.
A expansão também se reflete na atividade turística. Segundo a Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP), mais de 400 ranchos ribeirinhos foram construídos no entorno da represa na década anterior a 2025. A região também reúne mais de 1.200 embarcações ligadas à atividade náutica, um dos principais atrativos para visitantes e proprietários de imóveis de lazer.
Novas prioridades na escolha do imóvel
Além do aumento no número de propriedades, mudou o perfil dos empreendimentos disponíveis. Loteamentos fechados e condomínios com áreas de lazer e serviços compartilhados oferecem alternativas aos ranchos tradicionais.
Para Emerson Cosmo, diretor comercial de um dos empreendimentos da região, o Condomínio Rio Sol, que atua no mercado de imóveis de lazer em Rifaina e Sacramento (MG), muitos compradores procuram aproveitar o descanso com mais conforto e comodidade.
“O rancho tradicional sempre fez parte da história da região, mas hoje percebemos compradores que querem ir além de ter uma casa para passar o fim de semana. Eles procuram um condomínio que já ofereça infraestrutura de lazer e serviços, com mais conforto e comodidade para aproveitar o tempo em família. É essa experiência que tem pesado na escolha”, afirma.
Segundo Cosmo, o interesse pelos empreendimentos do Rio Sol vem de diferentes cidades do interior de São Paulo e de Minas Gerais, principalmente das regiões de Ribeirão Preto, Franca, Araxá, Uberaba e Uberlândia. Entre os compradores, há famílias em busca de um espaço de lazer, pessoas que consideram morar na região no futuro e investidores.
A possibilidade de adquirir um lote em um condomínio com estrutura e serviços também pesa na decisão. “O modelo permite construir um imóvel próprio e, ao mesmo tempo, aproveitar áreas coletivas de lazer e convivência, sem a necessidade de manter determinados espaços e equipamentos individualmente”, avalia o diretor.
Turismo e infraestrutura fortalecem a região
Localizada na divisa entre São Paulo e Minas Gerais, Rifaina tem na represa de Jaguara, formada pelas águas do Rio Grande, seu principal atrativo. Com cerca de 33 quilômetros quadrados de espelho d’água, o destino recebe visitantes interessados em passeios de barco, esportes náuticos e lazer em meio à natureza.
Em junho de 2026, a Prefeitura de Rifaina anunciou a aprovação de um convênio de R$ 600 mil com o Governo do Estado de São Paulo, por meio do Programa de Municípios Turísticos. Segundo a administração municipal, o recurso será destinado ao fortalecimento da infraestrutura e do desenvolvimento turístico.
O fluxo de visitantes também movimenta os setores de hospedagem, gastronomia, comércio e serviços. No Carnaval de 2025, por exemplo, a Prefeitura estimou que mais de 20 mil pessoas passaram pelo município, com movimentação econômica superior a R$ 13 milhões durante o feriado. A estimativa incluiu turistas hospedados, visitantes de um dia e proprietários de casas de veraneio.
Para o mercado imobiliário, a combinação entre atrativos naturais, infraestrutura turística e empreendimentos residenciais amplia as possibilidades de uso das propriedades. Além dos fins de semana e períodos de férias, a segunda residência passa a ser considerada por compradores com diferentes projetos de vida, seja para reunir a família, buscar mais tranquilidade ou planejar uma futura mudança de residência.


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