Quando a própria história se transforma em chamado para outras mulheres
Da experiência da infertilidade e de perdas pessoais à construção de um movimento internacional, a escritora e mentora brasileira radicada na Suíça transforma sua trajetória em uma plataforma dedicada à identidade feminina, à maternidade e à capacidade de gerar novos caminhos
Há histórias que são contadas, também, há histórias que, depois de vividas, passam a movimentar outras histórias. Assim, a trajetória de Ana Poltera, escritora, palestrante e mentora em Fertilidade & Identidade Feminina, pertence à segunda categoria. Sua experiência pessoal, marcada por desafios relacionados à maternidade, perdas, relacionamentos difíceis e processos de reconstrução, acabou dando origem a uma atuação que hoje ultrapassa fronteiras.
Radicada na Suíça, Poltera é CEO do programa Gravidez na Maturidade, fundadora do movimento E.L.A.S. – Foram Chamadas para Gerar e criadora do Método Gerar. Sua proposta parte de uma palavra que, para ela, ganhou um significado muito mais amplo do que a maternidade: gerar. Ou seja, gerar filhos, mas também sonhos, projetos, negócios, propósito e, consequentemente, uma nova identidade.
Quando o sonho da maternidade se transforma em descoberta
Aos 40 anos, Ana decidiu que queria ser mãe e o desejo, entretanto, encontrou pela frente dificuldades de fertilidade e questões pessoais que tornaram o caminho muito mais complexo do que imaginava. Sua trajetória também foi atravessada por experiências dolorosas e relacionamentos abusivos, circunstâncias que, segundo seus relatos, a levaram a olhar para dentro e compreender aspectos de sua própria identidade que precisavam ser reconstruídos. Dessa forma, aos 43 anos, encontrou um novo relacionamento e, alguns anos depois, tornou-se mãe aos 46 e aos 48 anos.
Mais do que a realização de um sonho pessoal, a maternidade passou a representar para Ana um ponto de inflexão. A experiência fez nascer uma nova pergunta: quantas mulheres também carregam dentro de si sonhos que acreditam ter perdido pelo caminho? Foi dessa inquietação que surgiu uma nova etapa de sua vida profissional.
De uma experiência pessoal a uma missão internacional
Hoje, Ana trabalha com mulheres que desejam repensar suas trajetórias e ampliar a compreensão sobre aquilo que podem construir em diferentes fases da vida. Portanto, seu trabalho reúne literatura, palestras, mentorias, encontros e projetos voltados à identidade feminina, propósito, maternidade e desenvolvimento pessoal.
Em junho deste ano, Zurique recebeu a primeira edição da jornada E.L.A.S. – Foram Chamadas para Gerar, onde reuniu mulheres de diferentes trajetórias para discutir identidade, autoestima, relacionamentos, liderança, desenvolvimento pessoal e reconstrução emocional. A iniciativa ganhou posteriormente novas etapas em Lausanne e Portugal, consolidando uma proposta que pretende conectar mulheres de diferentes países por meio de histórias, experiências e projetos.
Para Ana, a ideia central é que a mulher não seja definida apenas pelo que conseguiu ou não realizar, mas também pela capacidade de reconstruir sua trajetória.

E.L.A.S.: uma revista que nasce de histórias reais
O movimento ganhou também uma dimensão editorial. Assim, a revista-documentário “E.L.A.S. – Foram Chamadas para Gerar – Histórias de 52 Mulheres que Escolheram Ouvir o Chamado da Vida” reúne relatos de mulheres que atravessaram diferentes circunstâncias e decidiram transformar suas experiências em novos caminhos.
O projeto teve seu pré-lançamento anunciado para setembro de 2026, em Lausanne, como parte da programação internacional do Conexão Global Suíça. A publicação reuni 52 histórias de mulheres que, segundo a proposta do projeto, escolheram ouvir um chamado para reconstruir, criar e seguir adiante. É uma extensão natural da filosofia que Ana vem desenvolvendo. Em outras palavras, a história individual pode ganhar outra dimensão quando encontra outras histórias.
E talvez esteja justamente aí a força do projeto. Não se trata apenas de falar sobre superação, mas de criar um espaço onde experiências diferentes possam dialogar.
Da literatura aos palcos internacionais
A literatura ocupa lugar central nessa trajetória e, dessa forma, em 2026, Ana participou da Feira do Livro de Lisboa, onde apresentou Chamadas para Gerar, obra relacionada à sua experiência e à proposta de ampliar o significado da palavra “gerar”. Sua participação marcou a concretização de um desejo que havia surgido durante uma visita anterior ao evento.
E sua trajetória literária ganha, em outubro, um novo capítulo internacional, pois o livro A Inocência Roubada terá sua apresentação na Frankfurter Buchmesse – Feira do Livro de Frankfurt, um dos mais importantes encontros do mercado editorial mundial. A programação acontece de 7 a 11 de outubro de 2026, no Messe Frankfurt, Ludwig-Erhard-Anlage 1, 60327 Frankfurt am Main, Alemanha.
A participação na feira representa mais um passo na expansão internacional da produção literária de Ana, que vem construindo uma trajetória que conecta literatura, desenvolvimento feminino e experiências de vida. Após a participação em Frankfurt, A Inocência Roubada chegará também ao público por meio da Amazon, com disponibilidade prevista a partir de 14 de outubro de 2026.
O lançamento amplia o alcance de uma obra que dialoga com temas delicados da experiência humana e reforça a literatura como uma das ferramentas encontradas pela autora para transformar experiências pessoais em reflexão e diálogo com outras mulheres.
A mulher por trás do movimento
Por trás dos títulos, eventos e projetos existe uma história pessoal que continua sendo o principal fio condutor do seu trabalho. Poltera não fala apenas sobre maternidade, mas fala também acerca de identidade. Não somente sobre filhos, mas sobre aquilo que uma mulher ainda pode construir quando acredita que determinadas portas já se fecharam.

Essa visão está presente também no Método Gerar, criado por Ana e apresentado como uma metodologia de desenvolvimento pessoal e reconstrução emocional. Segundo a autora, o método procura trabalhar diferentes fases da criação e levar os participantes a revisitar suas histórias e refletir sobre identidade, escolhas e possibilidades de futuro. É uma abordagem que nasceu da própria trajetória e que agora busca alcançar outras mulheres.
Uma nova história depois dos 40, aos 50, dos recomeços
Talvez a palavra que melhor define Ana Poltera não seja “superação”, pois seus projetos parecem estar mais relacionados à ideia de recomeço. Porque superar pressupõe deixar algo para trás e recomeçar significa olhar para a própria história e decidir que ainda existe algo a ser construído.
Foi assim que Ana transformou o desejo de maternidade em uma jornada de identidade, transformando experiências pessoais em livros e, assim, livros em encontros. E, ainda, encontros em comunidade, levando a um movimento que hoje circula entre Brasil, Portugal e Suíça. Ao conversar com Ana em Lisboa, fica evidente que sua narrativa não termina naquilo que aconteceu com ela. Mas ao contrário, é justamente a partir da sua própria história que pretende abrir espaço para que outras mulheres contem as suas.
Por fim, podemos concluir que talvez seja esse o verdadeiro significado de “gerar” para Ana Poltera. Ou seja, dar existência não apenas a uma vida, mas também a uma possibilidade que ainda não existia.
Ana Poltera: a mulher por trás do movimento!
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Chamadas Para Gerar



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