O governo atual
anunciou no dia 17, um reajuste de 15% do Bolsa Família, a 17 dias do
primeiro turno das eleições. No anúncio, o presidente, candidato à reeleição,
optou por não discursar ou comentar. O impacto da medida, segundo o governo,
será de R$5,8 bilhões em 2026 e de R$22 bilhões em 2027. Nada como viver em um
país rico, não é?
Com o aumento linear dos benefícios, o piso dos pagamentos
sai de R$600,00 para R$691,00, com a média indo de R$691,00 para R$777,00. A
alta foi justificada pela previsão legal de dar reajuste inflacionário aos
beneficiários, pois o INPC, desde o início do programa até agosto, foi de
15,04%. É importante ressaltar que em 2026, o governo atual enviou ao congresso
a proposta de orçamento para 2027 sem previsão de reajuste da Bolsa Família. O
texto reserva R$157,1 bilhões para o programa e mantinha o benefício mínimo em
R$600,00 por família.
Quanto aos aposentados e pensionistas do INSS, o reajuste
mais recente foi aplicado em janeiro deste ano. Quem recebe até 1 salário-mínimo
teve o aumento de 6,79%, passando de R$1.518,00 para R$1.621,00. Quem recebe
acima de 1 salário-mínimo teve reajuste de 3,90% com base no INPC acumulado.
Sem comentário! Só gostaria de saber qual a justificativa para o fato da bolsa
família, onde ninguém trabalha, ter mais do dobro de aumento dos mais de 30
milhões de aposentados que trabalharam a vida toda. Esta é a lei? Permitir que
distribuam nosso dinheiro a quem nunca trabalhou?
Quando se analisa episódios de vazamento de informações
sensíveis, oriundas de investigações e “segredos de estado”, compartilhar com a
imprensa estes dados é uma estratégia infalível se transformando em uma
perigosa arma política. É mais do que saudável a cobrança da sociedade aos
homens públicos, pois trazem à tona os “mares de lama” que correm sob os
palácios. É necessário e fundamental. Como disse o ministro Edson Fachin,
presidente do STF, o que se espera desses personagens é decência e o respeito
aos limites que o cargo público impõe.
Instituições de Estado tem de estar acima da política e não
devem servir de apoio a discursos oportunistas. Quando se colocam em xeque
informações sigilosas ou sensíveis tornadas públicas, porque favorecem um grupo
e emparedam outro, a corporação é solapada pelo vírus da desconfiança. Uma
acusação de atuação política direcionada feita a um organismo estatal
diminui-lhe a respeitabilidade ante o cidadão-contribuinte-eleitor. Isso aponta
na direção de uma democracia fatigada. E aprofunda o antagonismo entre polos
ideológicos, cujo principal e mais visível é a corrosão do Estado Democrático
de Direito e a nossa Constituição. O panorama é dos piores. Mas tem ainda um
fator gravíssimo, que escancara a porta para nulidades processuais, o que
potencializa a percepção da impunidade dos três poderes, Executivo, Legislativo
e Judiciário, trazendo para a sociedade o sentimento de frustração. E, também,
de que a democracia não vale a pena.
O Brasil tem eleições marcadas. Tem uma democracia que ainda
sobrevive às ameaças constantes. E tem o direito de chegar a outubro com
árbitros legítimos e instituições que funcionem, ainda que imperfeitamente,
ainda que sob tensão. Sem isso, a eleição mais importante dos últimos anos será
realizada em um vácuo institucional que nenhum resultado será capaz de
preencher.



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