Ópera Don Pasquale será apresentada no Theatro São Pedro


 

Obra-prima de Gaetano Donizetti terá direção musical de Ira Levin e direção cênica de Lívia Sabag, com récitas nos dias 10, 12, 15, 17 e 18 de julho
 



Theatro São Pedro. Crédito: Íris Zanetti


 

Na sequência da temporada lírica 2026, o Theatro São Pedro, equipamento cultural da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, gerido pela Santa Marcelina Cultura, irá apresentar a ópera Don Pasquale, do compositor italiano Gaetano Donizetti (1797–1848). Com récitas nos dias 10, 12, 15, 17 e 18 de julho, a montagem terá direção musical de Ira Levin, à frente da Orquestra do Theatro São Pedro, e concepção e direção cênica de Lívia Sabag. Os ingressos custam entre R$ 41 (meia-entrada) e R$ 124 (inteira) e estão disponíveis no site do teatro.

 

Escrita no início década de 1840, quando Gaetano Donizetti vivia em Paris, Don Pasquale foi sua última ópera cômica e uma de suas últimas obras. Se em 1839, ao escrever La Fille du Régiment, ele adaptou a peça às exigências do estilo da ópera cômica francesa, em Don Pasquale as raízes são totalmente italianas, com personagens sendo tipos modernizados da commedia dell'arte. A ação se passa em Roma e a história gira em torno de uma premissa cômica clássica: um jovem casal apaixonado planeja frustrar os planos de um velho rico, que deseja se casar com a moça. Para atingir seu objetivo, eles contarão com a ajuda de um astuto estrategista, espécie de “falso amigo” do antagonista da história.

 

Como se pode imaginar, é o amor jovem que triunfa sobre a hipocrisia da velhice. Resolvido o impasse, todos se reconciliam e vivem felizes para sempre. A tensão, portanto, reside nos meios necessários para se atingir o final presumido – uma fórmula que serviu à comédia desde o teatro romano, e que já havia sido explorada na ópera por outros autores, como Mozart e Rossini. Ainda assim, Don Pasquale resulta numa comédia eficiente e original, que demonstra o talento de Donizetti para o humor centrado nos personagens.

 

Don Pasquale, de Donizetti, juntamente com Elisir d'amore, é a maior ópera cômica italiana do século XIX. É uma obra musicalmente mais rica que Elisir, com o mesmo nível de inspiração lírica, mas tecnicamente mais avançada, especialmente em termos de orquestração, o que a torna bastante desafiadora de executar”, destaca o maestro Ira Levin.

 

Don Pasquale se insere na fase madura de Donizetti, com estilo marcado por maior profundidade emocional e sofisticação. O libreto de Don Pasquale foi escrito por Giovanni Ruffini (1807–1881), poeta e patriota genovês que vivia exilado em Paris. Donizetti, contudo, fez tantas alterações no texto que Ruffini se recusou assiná-lo. A orquestração da obra pode ser considerada leve para os padrões modernos, mas certamente não o era para o público que a ouviu pela primeira vez, em meados do século XIX. Isso porque os recitativos são todos acompanhados pela orquestra, ao invés de um cravo (prática mais comum em óperas cômicas do período). Como resultado, há uma passagem mais sutil dos diálogos para as árias e outras partes cantadas.

 

Tal como em sucessos anteriores, em Don Pasquale convivem a beleza lírica e o virtuosismo vocal, muitas vezes exigindo que os cantores executem passagens complexas de coloratura com profundidade emocional. Ao mesmo tempo, as trocas de farpas entre Pasquale e seus antagonistas são equilibradas por momentos tocantes em que Donizetti humaniza o personagem título e nos permite sentir empatia por ele. Da mesma forma que outras de suas óperas (e tal qual faziam outros compositores, a exemplo de Rossini), Don Pasquale foi composta muito rapidamente. Donizetti escolheu o elenco a dedo entre os cantores mais famosos da época, com os quais já havia trabalhado. O compositor conhecia suas habilidades vocais e dramáticas e confiava neles para lidar com o desafiador material vocal que o trabalho representa para os intérpretes.

 

Don Pasquale estreou no Théâtre Italien, em Paris, a 3 de janeiro de 1843 e foi um triunfo pessoal e financeiro para Donizetti, que lucrou com os direitos autorais de apresentações, com vendas da partitura vocal e com arranjos das melodias da ópera. A estreia foi um sucesso estrondoso e, antes do final do ano, Don Pasquale já podia ser vista nos grandes teatros de ópera da Europa. Dois anos depois, cruzava o Atlântico e era apresentada nos EUA e, em 1853, teve sua estreia brasileira no Teatro Provisório, do Rio de Janeiro.

 

Transmissão ao vivo

 

A récita do dia 15 de julho será transmitida online e de forma gratuita pelo canal de Youtube do Theatro São Pedro

 

 

Don Pasquale

 

Orquestra do Theatro São Pedro

Ira Levin, direção musical

Livia Sabag, concepção e direção cênica

Daniela Gogoni, cenografia

Valéria Lovato, iluminação e cenógrafa associada

Fabio Namatame, figurino

Tiça Camargo, visagismo

Bruno Costa, regente coral

Fabio Bezuti, preparador vocal

Mateus Araújo, assistência de direção musical e preparador vocal

Menelick de Carvalho, direção de movimento e assistência de direção cênica

Ronaldo Zero, direção de palco

 

Rodrigo Esteves, Don Pasquale
Raquel Paulin, Norina
Guilherme Moreira, Ernesto

Santiago Villalba, Dr. Malatesta

Gustavo Lassen, Notário

Chica Portugal, Francesca

 

GAETANO DONIZETTI (1797-1848)

Don Pasquale - 150’

 

Ensaio geral aberto e gratuito: 08 de julho, 19h, Theatro São Pedro

Récitas: 10, 12, 15, 17 e 18 de julho

Quarta, sexta-feira e sábado às 20h; domingo às 17h, Theatro São Pedro

Ingressos: aqui

Plateia central - R$ 62 (meia-entrada) e R$ 124 (inteira)

1º Balcão superior - R$ 51 (meia-entrada) e R$ 102 (inteira)

2º Balcão superior - R$ 41 (meia-entrada) e R$ 82 (inteira)

Classificação etária: 12 anos

 

 

THEATRO SÃO PEDRO

Com mais de 100 anos, o Theatro São Pedro, instituição do Governo do Estado de São Paulo e da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, gerido pela Santa Marcelina Cultura, tem uma das histórias mais ricas e surpreendentes da música nacional. Inaugurado em uma época de florescimento cultural, o teatro se insere tanto na tradição dos teatros de ópera criados na virada do século XIX para o XX quanto na proliferação de casas de espetáculo por bairros de São Paulo. Ele é o único remanescente dessa época em que a cultura estava espalhada pelas ruas da cidade, promovendo concertos, galas, vesperais, óperas e operetas. Nesses mais de 100 anos, o Theatro São Pedro passou por diversas fases e reinvenções. Já foi cinema, teatro, e, sem corpos estáveis, recebia companhias itinerantes que montavam óperas e operetas. Entre idas e vindas, o teatro foi palco de resistência política e cultural, e recebeu grandes nomes da nossa música, como Eleazar de Carvalho, Isaac Karabtchevsky, Caio Pagano e Gilberto Tinetti, além de ter abrigado concertos da Osesp. Após passar por uma restauração, foi reaberto em 1998 com a montagem de La Cenerentola, de Gioacchino Rossini. Gradativamente, a ópera passou a ocupar lugar de destaque na programação do São Pedro, e em 2010, com a criação da Orquestra do Theatro São Pedro, essa vocação foi reafirmada. Ao longo dos anos, suas temporadas líricas apostaram na diversidade, com títulos conhecidos do repertório tradicional, obras pouco executadas, além de óperas de compositores brasileiros, tornando o Theatro São Pedro uma referência na cena lírica do país.  

 

SANTA MARCELINA CULTURA

Eleita a melhor ONG de Cultura de 2019 e de 2025, além de ter entrado na lista das 100 Melhores ONGs em 2019, 2020 e 2025, a Santa Marcelina Cultura é uma associação sem fins lucrativos, qualificada como Organização Social de Cultura pelo Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativas. Criada em 2008, é responsável pela gestão do GURI e da Escola de Música do Estado de São Paulo – Tom Jobim (EMESP Tom Jobim). O objetivo da Santa Marcelina Cultura é desenvolver um ciclo completo de formação musical integrado a um projeto de inclusão sociocultural, promovendo a formação de pessoas para a vida e para a sociedade. Desde maio de 2017, a Santa Marcelina Cultura também gere o Theatro São Pedro, desenvolvendo um trabalho voltado a montagens operísticas profissionais de qualidade aliado à formação de jovens cantores, instrumentistas, libretistas e compositores para a prática e o repertório operístico, além de se debruçar sobre a difusão da música sinfônica e de câmara com apresentações regulares no Theatro. Para acompanhar a programação artístico-pedagógica do Guri, da EMESP Tom Jobim e do Theatro São Pedro, baixe o aplicativo da Santa Marcelina Cultura. A plataforma está disponível para download gratuito nos sistemas operacionais Android, na Play Store, e iOS, na Apple Store. Para baixar o app, basta acessar a loja e digitar na busca “Santa Marcelina Cultura”. Para baixar o app, basta acessar a loja e digitar na busca “Santa Marcelina Cultura”.

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