
Receitas tradicionais e histórias cheias de afeto mostram como a gastronomia transforma as festas juninas em momentos de celebração, memória e compartilhamento
As festas juninas carregam muito mais do que bandeirinhas, música e tradição: elas também reúnem sabores que atravessam gerações e despertam lembranças afetivas. Dos pratos salgados às receitas doces, a culinária típica desse período mistura ingredientes simples, criatividade e influências culturais de diferentes regiões do Brasil, tornando-se uma das grandes protagonistas das comemorações.
Para celebrar essa tradição, o chef e docente da área de Gastronomia do Senac Santo Ângelo, Reinaldo Farah, compartilha receitas especiais e curiosidades sobre pratos clássicos das festas juninas. Além do preparo, cada receita traz histórias, origens e elementos que ajudam a explicar por que esses sabores seguem tão presentes nas mesas e nas celebrações desta época do ano.
“Escolhi esses pratos por entender que são clássicos carregados de história e cultura. São receitas consumidas em todo o Brasil, com ingredientes acessíveis, muito sabor e que remetem a uma gastronomia afetiva, cheia de memórias. Isso faz com que continuem sendo alguns dos preparos mais queridos e tradicionais das festas juninas em todo o país”, destaca o chef. Confira:
Canjica Cremosa com Amendoim
Origem
A canjica tem forte influência indígena e africana. O milho já era amplamente utilizado pelos povos indígenas brasileiros antes da chegada dos portugueses. Depois, africanos escravizados incorporaram leite de coco, açúcar e especiarias ao preparo.
Regiões tradicionais
- Sudeste do Brasil
- Sul do Brasil
- Nordeste (onde é chamada de mungunzá)
Curiosidade
O nome “canjica” vem de línguas africanas trazidas ao Brasil durante o período colonial.
Receita
Ingredientes
• 500 g de milho para canjica (milho branco)
• 2 litros de água
• 1 lata de leite condensado
• 200 ml de leite de coco
• 1 litro de leite
• 1 xícara (chá) de amendoim torrado e moído
• Cravo e canela em pau a gosto
• Canela em pó para polvilhar
Modo de preparo
1. Lave bem o milho para canjica e deixe de molho em água por pelo menos 8 horas ou de um dia para o outro.
2. Escorra a água do molho e cozinhe o milho em 2 litros de água na panela de pressão por cerca de 40 minutos após o início da pressão, ou até que esteja macio.
3. Em uma panela grande, adicione o milho cozido (com a água do cozimento), o leite, o leite condensado, o leite de coco, o cravo e a canela em pau.
4. Cozinhe em fogo médio, mexendo ocasionalmente, por aproximadamente 20 a 30 minutos, ou até engrossar e ficar cremoso.
5. Adicione o amendoim torrado e moído, misture bem e cozinhe por mais 5 minutos.
6. Retire o cravo e a canela em pau. Sirva quente ou frio, polvilhado com canela em pó.
Pamonha Doce
Origem
A pamonha surgiu com os povos indígenas brasileiros, que já preparavam massas de milho envoltas em folhas muito antes da colonização.
Regiões tradicionais
- Centro-Oeste
- Goiás
- Minas Gerais
- Interior paulista
Curiosidade
A palavra “pamonha” vem do tupi “pa'muña”, que significa algo “pegajoso”.
Receita
Ingredientes
• 12 espigas de milho verde com a palha
• 1 copo de água
• 2 xícaras de açúcar
• 1 xícara de coco ralado fino
• 1 pitada de sal
Modo de preparo
1. Rale as espigas ou corte-as rente ao sabugo e passe no liquidificador, juntamente com a água.
2. Acrescente o coco, o açúcar e mexa bem.
3. Coloque a massa na palha de milho e amarre bem.
4. Em uma panela grande, ferva bem a água e vá colocando as pamonhas uma a uma após a fervura completa da água.
5. Cozinhe por mais ou menos 40 minutos, retirando as pamonhas com o auxílio de uma escumadeira.
6. Deixe esfriar em local bem fresco.
7. Sirva com café e queijo ralado.
Arroz-doce Cremoso
Origem
O arroz-doce veio da Europa, especialmente de Portugal, mas sua origem mais antiga remonta ao Oriente Médio e à Ásia, onde receitas com arroz e leite já existiam há muitos séculos.
Regiões tradicionais
- Sudeste
- Quermesses do Sul
- Em celebrações familiares portuguesas
Curiosidade
Os portugueses trouxeram a tradição durante o período colonial.
Receita
Ingredientes
• 1 xícara (chá) de arroz
• 2 xícaras (chá) de água
• 1 lata de leite condensado
• 1/2 litro de leite
• Canela em pau a gosto
• Casca de 1 limão (opcional)
Modo de preparo
1. Cozinhe o arroz na água até ficar macio e a água secar. Não deixe secar completamente, deve ficar um pouco úmido.
2. Adicione o leite, o leite condensado, a canela em pau e a casca de limão.
3. Cozinhe em fogo baixo, mexendo ocasionalmente, até o arroz absorver o líquido e ficar cremoso.
4. Retire a canela em pau e a casca de limão antes de servir.
5. Sirva quente ou frio, polvilhado com canela em pó a gosto.
Curau de Milho Verde
Origem
O curau possui origem indígena, já que o milho era um alimento central para os povos nativos do Brasil.
Regiões tradicionais
- Sudeste
- Interior de São Paulo
- Minas Gerais
Curiosidade
No Nordeste, receitas semelhantes recebem nomes diferentes e podem ter preparo mais líquido ou mais cremoso.
Receita
Ingredientes
• 6 espigas de milho duras
• 1 litro de leite
• 1 e 1/2 xícaras de açúcar
• 1 pitada de sal
Modo de preparo
1. Bata o milho com o leite no liquidificador por alguns minutos. Passe a mistura em uma peneira bem fina.
2. Coloque a mistura em uma panela junto com o açúcar e a pitada de sal.
3. Mexa até começar a engrossar. Deixe cozinhar por cerca de 15 minutos em fogo baixo.
4. Coloque em um refratário e, se preferir, acrescente canela em pó por cima.
5. Deixe na geladeira.
Pé-de-moleque Tradicional
Origem
O pé-de-moleque surgiu no Brasil colonial, provavelmente a partir da mistura de técnicas portuguesas de caramelização com ingredientes locais como o amendoim.
Regiões tradicionais
- No Nordeste
- Em Minas Gerais
- No interior paulista
Curiosidade
Existe também uma versão pernambucana diferente, feita com massa de mandioca e castanha.
Receita
Ingredientes
• 500 g de amendoim torrado e sem pele
• 2 xícaras (chá) de açúcar
• 1 xícara (chá) de água
• 1 colher (sopa) de manteiga (opcional)
Modo de preparo
1. Em uma panela de fundo grosso, coloque o açúcar e a água. Leve ao fogo médio, sem mexer, até formar uma calda em ponto de caramelo claro.
2. Adicione o amendoim torrado e a manteiga. Mexa rapidamente para envolver todo o amendoim na calda.
3. Despeje a mistura imediatamente sobre uma superfície untada com manteiga ou forrada com papel manteiga.
4. Espalhe a massa rapidamente antes que endureça.
5. Ainda morno, corte em pedaços do tamanho desejado.
6. Deixe esfriar completamente antes de servir.
Bolo de Milho Cremoso de Liquidificador
Origem
O bolo de milho nasceu da tradição rural brasileira e da forte influência indígena no uso do milho como base alimentar.
Regiões tradicionais
- No interior do Brasil
- Em Minas Gerais
- Goiás
- Paraná
- Rio Grande do Sul
Curiosidade
Os bolos juninos eram tradicionalmente preparados em fornos à lenha durante as festas comunitárias.
Receita
Ingredientes
• 1 lata de milho verde (sem a água)
• 3 ovos
• 1/2 xícara (chá) de óleo
• 1 xícara (chá) de açúcar
• 1 xícara (chá) de fubá
• 1 xícara (chá) de leite
• 1 colher (sopa) de fermento em pó
Modo de preparo
1. No liquidificador, bata o milho verde escorrido, os ovos, o óleo, o açúcar, o fubá e o leite até obter uma massa homogênea.
2. Por último, adicione o fermento em pó e bata rapidamente, apenas para incorporar.
3. Despeje a massa em uma forma untada e enfarinhada.
4. Leve ao forno médio (180°C) preaquecido por aproximadamente 40 a 50 minutos.
5. Faça o teste do palito: se sair limpo, está pronto.
6. Deixe esfriar um pouco antes de desenformar e servir.



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