Macaca diagnosticada com diabetes em Uberaba recebe novo lar após tratamento no Hospital Veterinário da Uniube

 

Após semanas de acompanhamento clínico no Setor de Animais Silvestres do Hospital Veterinário da Uniube (HVU), a macaca-prego conhecida como Chica recebeu autorização do Instituto Estadual de Florestas (IEF), para permanecer sob os cuidados de um mantenedor de fauna silvestre no município de Uberaba.

A decisão representa uma etapa importante na condução do caso, que ganhou destaque após o diagnóstico de diabetes mellitus em um primata não humano, condição considerada rara em animais de vida livre. No caso de Chica, a doença está associada ao histórico de alimentação inadequada oferecida por visitantes da área onde o animal vivia.

Diante da impossibilidade de retorno à vida livre, a equipe do Hospital Veterinário da Uniube recomendou o encaminhamento do caso ao IEF, órgão responsável por definir o destino mais adequado de animais silvestres dentro dos protocolos de manejo da fauna.

Após análise técnica, o Instituto autorizou que o primata fosse destinado a um mantenedor de fauna devidamente habilitado no município. O responsável possui experiência no manejo de macacos-prego e estrutura apropriada para a manutenção e acompanhamento do animal, incluindo a continuidade das medicações e a oferta de alimentação controlada, rica em verduras frescas.

"Recebemos a macaca Chica após o desenvolvimento de um quadro de diabetes. Em parceria com o Hospital Veterinário da Uniube e o Instituto Estadual de Florestas (IEF), essa macaquinha foi destinada ao nosso mantenedouro de fauna silvestre para que possamos continuar cuidando dela. Ela foi muito bem recebida pelas duas primatas que já estão aqui há algum tempo. Elas contam com todo o enriquecimento ambiental, que foi planejado junto ao nosso biólogo responsável técnico, para que essa transferência seja a menos traumática possível e para que a Chica continue recebendo os cuidados adequados aqui conosco. Ela vai ser muito amada aqui, como todos os animais são", explica o responsável pelo mantenedouro de fauna silvestre, João Paulo Vieira.

A proximidade com o HVU também permitirá, sempre que necessário, acompanhamento clínico e suporte veterinário, garantindo maior segurança no manejo da condição metabólica da primata.

“Para nós, do HVU, foi muito importante a agilidade e o profissionalismo do Instituto Estadual de Florestas (IEF) em viabilizar uma solução segura para a Chica. O fato de ela permanecer no município de Uberaba, sob responsabilidade de um mantenedor experiente com macacos-prego, é extremamente positivo. Isso permite que o animal continue recebendo manejo adequado e, ao mesmo tempo, possibilita acompanhamento clínico próximo da equipe veterinária do HVU que acompanhou todo o caso”, comemora o médico-veterinário responsável pelo Setor de Animais Silvestres do HVU, Cláudio Yudi.

Segundo o médico-veterinário, a experiência do responsável também traz segurança para a continuidade do tratamento. “Sabemos que o mantenedor possui experiência prévia com primatas e estrutura compatível para esse tipo de manejo. Isso nos dá tranquilidade para acreditar que a Chica terá qualidade de vida e cuidados adequados. Esperamos que ela possa viver bem e continuar sendo acompanhada ao longo do tempo”, destaca.

O caso da macaca-prego também reforça a importância de não alimentar animais silvestres em parques e áreas naturais. A prática pode provocar sérios distúrbios nutricionais, alterações comportamentais e dependência alimentar, além de aumentar o risco de acidentes e agressões envolvendo visitantes.

O caso

Chica foi resgatada em 14 de janeiro de 2026, na região da Mata do Ipê, em Uberaba, após apresentar comportamento apático e sinais clínicos compatíveis com comprometimento respiratório. O resgate foi realizado por servidores da Prefeitura Municipal de Uberaba, e o animal foi encaminhado ao Hospital Veterinário da Uniube para avaliação e tratamento especializado.

Durante a internação, a equipe do Setor de Animais Silvestres realizou exame clínico completo, além de exames laboratoriais e de imagem. Inicialmente, o tratamento foi direcionado para um quadro de broncopneumonia.

Após a estabilização clínica e a realização de exames complementares, foi confirmada a presença de diabetes mellitus, condição que exige manejo permanente, dieta controlada e monitoramento periódico.

Ao longo do período de internação, Chica respondeu bem ao tratamento clínico, apresentando melhora do estado geral, ganho de peso e boa adaptação ao manejo alimentar com verduras e alimentos naturais adequados para a espécie.

Postar um comentário

0 Comentários