COMO SERÁ O AMANHÃ ?



O presidente atual inovou e criou a sua própria teoria econômica capaz de resolver todos os problemas da economia brasileira.  É uma teoria que trata da transferência de renda do pagador de impostos para determinadas camadas da sociedade, via políticas públicas, ele consegue resolver tudo. Segundo o mesmo "não tem macroeconomia, não tem câmbio, se tiver dinheiro na mão do povo, todos os problemas estarão resolvidos. Estará resolvido o problema da industrialização, do consumo, da agricultura e até da inflação". Ele ainda diz que o seu governo demonstra isto como lição ao povo brasileiro na hora que consegue fazer com que o dinheiro circule. Esta sua teoria praticamente determina a inutilidade de um Banco Central pois acaba com a política monetária e com a teoria monetarista que se fundamenta na ideia de que a quantidade de dinheiro em circulação desempenha um papel central na determinação dos níveis de preços, ou seja, na taxa de inflação e na produção de uma economia. Por isso que ele demonstra não ter medo de gastar. Pelo contrário, é descarado em seu desprezo pela contenção de gastos, criando uma profusão de programas eleitoreiros, varrendo despesas para debaixo das metas e tornando os déficits recorrentes, quando deveriam ser exceção. 

A mágica para cobrir os rombos tem sido, até aqui, avançar sobre o bolso do contribuinte por meio de aumento de impostos. Como as despesas só fazem crescer, a sanha arrecadatória ultrapassou todos os limites do razoável, resultando em atritos com o Congresso e crises políticas. Pagamos impostos altíssimos em todas as compras que necessitamos e que fazem parte dos nossos compromissos diários. E ainda vem de 15% a 27,5% do seu salário a título de Imposto de Renda, mais o seu plano de saúde, o colégio dos seus filhos, IPVA, IPTU, INSS, FGTS, etc. Sem querer cortar seus próprios gastos e exagerados privilégios, o governo repassa o alto custo da sua incompetência e outras "cositas mas" para a população pagar e ainda tem a desfaçatez de afirmar que não tem dinheiro. A mando do governo, o IBGE declara que a inflação fechou em 4,6% no ano 2025. Basta lembrarmos que em 2021 o Brasil ocupava a posição número 30 do mundo em cobrança de impostos. Por qual motivo passamos para o número 1 do mundo? A esperança é que doravante não haverá mais espaço para aumento de impostos. Será? Ninguém suporta mais. Por isso o governo deveria tratar de conter a gastança enquanto é tempo.

Depois de um 2025 perdido em termos de avanços estruturais e com desvios dos princípios republicanos pelos três Poderes, os sinais para 2026 não são alvissareiros. Entre tantos problemas acontecendo, acompanhamos mais um escândalo bancário, o caso Banco Master, que como diz o ditado popular, quanto mais se mexe mais o mau cheiro aumenta. Não existe normalidade quando o caminho do dinheiro faz com que a fraude se misture ao poder. Até agora, o volume estimado do esquema, na casa de R$12 bilhões, agrava o quadro. O que parecia um problema bancário localizado passa a ter sinais de engrenagem estruturada: uso de fundos de investimento, elos societários e familiares, transações entre partes relacionadas, ativos sem liquidez e artificialmente precificados, além de suspeitas de laranjas e sócios ocultos. A tipificação mencionada nas apurações evidencia a gravidade: organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, indução de investidores ao erro, uso de informação privilegiada, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro. A crise ganha contornos sistêmicos não necessariamente pelo tamanho do banco, mas pela interconexão e efeito dominó. Se a percepção publica fora de que as regras podem ser contornadas. o resultado é previsível: investidores recuam, o custo de captação aumenta, o crédito encarece e a credibilidade do mercado sofre um dano que não se resolve com discursos, apenas com instituições funcionando dentro de sua competências. 

É neste momento que o Estado democrático de direito precisa demonstrar solidez. O Banco Central  tem atribuição legal e constitucional para zelar pela estabilidade do sistema financeiro e pela integridade prudencial do mercado. A PF deve investigar crimes complexos, rastrear fluxos e identificar redes de fraude. O Ministério Público Federal é o titular da ação penal e fiscal da lei, com a independência para conduzir a acusação e requisitar diligências. O TCU atuar para proteger o patrimônio publico e fiscalizar operações que possam envolver risco ao erário. E o STF deve garantir o devido processo, a competência adequada e o equilíbrio institucional, evitando que o tribunal seja percebido como protagonista de uma crise que deveria arbitrar. O risco maior não é apenas a fraude, é a erosão das fronteiras. Quando surge decisões fora da praxe, disputas sobre custódias de provas e sinais de tensão entre órgãos, o país corre o risco de substituir o devido processo por uma guerra inconstitucional. No mercado financeiro, essa percepção e particularmente tóxica, porque a estabilidade depende da crença de que as regras são previsíveis e valem para todos. 

Em meio ao baixo crescimento e ao mau funcionamento de alguns freios e contrapesos democráticos, o país demanda um bom debate eleitoral, focado nos problemas internos, evitando o populismo e embates ideológicos estéreis.

Sem mudança no atual andar da carruagem, fica difícil ver o copo meio cheio. 

Postar um comentário

0 Comentários