A
severidade lirica de Andrea Mariz
Franco Maria Jasiello
Natal, 1997
Este
livro deve ser considerado como uma janela que deixa entrever apenas uma
parte, admirável, da paisagem que prepotentemente surge da sensibilidade
e da disciplina que constituem as duas vertentes essenciais da arte de
Andréa Mariz.
Em
nenhum momento a rígida lucidez técnica, a paciente laboração
e o exercício da construção deixam-se vencer pela
exuberância da sensualidade ou pela tentação do contemplativo
e do narrativo, que poderiam resultar num sutil disfarce de uma proposta
decorativa do elemento visual e poético. A sensualidade se afirma,
mas não se banaliza na insistência dos ritmos .
A referência a uma paisagem vista por uma janela, aqui, não
indica apenas que o espaço forçosamente exíguo da
página limita o conhecimento, "a vista" da obra e da
autora, mas declara que aquilo que mais fascina na arte de Andréa
Mariz é o irrevelado de sua paisagem artística e, portanto,
de seu mistério, condensado em dramáticos signos gráficos,
nos quais a plasticidade é o fator dominante, com função
organizativa e estrutural.
Acima de tudo, a obra apresenta uma arte que só se alcança
através da busca e da inquirição feitas à
parte mais sombria, mais perturbadora da alma humana. Indica, portanto,
um percurso que leva à escolha de um "discurso" que reúne
consciência do " tempo ", da imanência de sentimentos
e objetos, reflexão sobre a condição humana de modificadora
de determinada ordem.
Percurso este corajosamente enfrentado e, que, em conseqüência,
estabelece e impõe seu universo lírico. O lirismo, porém,
não se derrama, não se compraz de sua voz sedutora, mas
é submetido à severidade vigilante de uma linguagem que
não se concede pausas ou descanso.
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